quinta-feira, 30 de agosto de 2007

o aumento de frouxidão e a inflação do prestígio das vias: um estudo comparativo

If the routes stayed the same, but the gradings were suddenly all switched around, it would be interesting to see which routes people would be trying.

Jim Holloway

Cá está. Não é só o LA que sabe fazer citações. Eu também sei. E esta é muito boa. Por acaso gamei esta dele. As citações demonstram que um gajo é inteligente. Que tem cultura geral. Para quem não sabe, a cultura geral mede-se pela quantidade de citações que um tipo diz por dia.
O problema é que, normalmente, quando se usa uma citação, é suposto o texto não ter nada a ver com a dita. O propósito da mesma é o de ganhar uma discussão, ou seja, arrumar com o outro gajo, qu’ele até fica a pensar “ena pá, com essa é que me lixaste”. E se a citação nada tiver a ver com o assunto em causa, melhor ainda, que é da maneira que o deixamos ainda mais confuso. Por exemplo, esta foi gamada de um texto sobre aves. Já na altura não percebi o que tinha a ver. Se calhar as aves só vão a uma via por causa do grau. Será que as aves mais fortes só nidificam em oitavos?

Acontece que a citação em causa até tem a ver com este post, mais concretamente com o prestígio. Às vezes, parece que as vias têm dois graus: um de dificuldade e outro de prestígio. Curiosamente, o de prestígio é sempre igual ou superior ao de dificuldade. Nunca é inferior. A não ser que a via seja de placa. Não há nada mais baixo que o grau de prestígio de uma placa. Melhor dizendo, não existe nada que arruíne mais a reputação de um indivíduo que fazer uma via de placa. Quer encadeie um 8a de placa, quer caia num 6a de placa. Que, no fundo, acaba por ser o mesmo.

O grau de prestígio é tão importante que chega a afectar a própria qualidade da via. Se esta for um 7a, assim pró fácil, a via é um espectáculo, fácil de sacar, só presa grande. Se alguém decide gritar “o rei vai nú” e decota a via, esta passa de imediato para um 6c+ merdoso, passo mitrado sem jeito nenhum. Por isso é que as vias lá fora são boas. O grau de prestígio é enorme e o encadeamento à vista chove como cães e gatos. Tudo a experimentar aquela via dura mas boa, só porque no croqui vem um número porreiro:

- Ouve lá, é mesmo 7a?
- Sim, é 7a, presa grande, pouco inclinada, fácil de sacar à vista, é boa para ti.
- Mas é 7a?
- Sim, é.
- Mais duro que um 6c+?
- Eh pá, isso já não sei, se calhar não. Fiz à segunda. E nunca fiz sequer 6c+ à segunda. Aliás, acho que nunca fiz 6c+... Mas diz neste croqui com pelo menos 20 anos que é 7a, e o croqui não falha.
- Ah, bom, então vou lá!!

Ora eu acho que devia ser justamente o contrário. Tipo,

- Lá vai o fulano de tal, aquele gajo que fez agora um oitavo.
- A sério? Não dava nada por ele. Alguém o viu a fazer o oitavo?
- Vi-o eu a sacar aquele 6b manhoso à vista.
- Fosga-se, é mesmo forte!! Respect!!

Acrescento que acho até extraordinário como a malta se orienta tão bem a chamar as vias pelo grau (normalmente o de prestígio, claro). O nome, obviamente, é um mero acessório. Inclusivamente, até parece que houve aí uma polémica com um gajo que partiu umas pedras coladas na base das vias, com o nome das mesmas. Devo dizer que sou contra as pedras com nome na base das vias. Para quê o nome? Assim as pedras não dispensam o croqui! Quem lê o nome da via na sua base fica sem saber o mais importante, que é, obviamente, o grau. Por isso, acho que se deveria pôr apenas o grau na base das vias. Ocupa muito menos espaço, logo o impacto visual é menor. Para que interessa o nome? Se se falar no nome de uma via, ninguém sabe onde fica. Já pelo grau, toda a gente vai lá. E se for a puxar para cima, então é uma verdade absoluta e intocável. Mesmo que se faça a via com pegue e meio, apesar de nunca se ter feito aquele grau na vida. Mas se a via só sair ao vigésimo, a coisa pia mais fino, “qu’eu já fiz este grau à vista”. Não pode ser. Esqueçamo-nos que isto é uma rocha nova, um estilo novo, uma técnica nova, uma via nova (i.e. sem pinta de magnésio) e subamos o grau, “qu’eu não tou aqui para me rebentar em 6b’s”. Ou então, cagamos d’alto na via e vamos para aquele 7a vertical com presa à mão cheia de meio em meio metro.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Laura Frôxa & Marta Xorona e os nomes das vias


sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Laura Frôxa & Marta Xorona em entrevista a Nuno Pinheiro



Este é o extracto de uma entrevista, não autorizada, ao escalador e equipador de vias de escalada, Nuno Pinheiro.
Laura Frôxa e Marta Xorona conseguiram este exclusivo usando de vários ardis, incluindo o próprio desconhecimento do visado e a colocação de palavras na sua boca, que este nunca proferiu.
Trata-se de uma entrevista completamente inédita, um furo jornalístico que nenhum outro órgão de comunicação social jamais conseguiu deitar a mão e que aqui se transcreve fielmente distorcida.



Para quem não conhece, eis aqui alguns dados biográficos e curriculares:
Nuno Pinheiro nasceu em Lisboa, a 16 de Fevereiro de 1976. Mede 1,78m de altura e pesa cerca de 65 Kg. Começou a escalar há uma dúzia de anos (1995) e sempre se manteve próximo dos núcleos mais fanáticos e activos da capital.
Ao longo do tempo em que é praticante, tem viajado por toda a península e nos últimos anos também por outros continentes e destinos exóticos, sempre em busca de novos locais de escalada, exibindo, por isso, sinais exteriores de riqueza e duma estrela de boa fortuna acima do normal.
7c, 7c+ e oitavos “é aos molhos”, sem esconder e sem pavonear os seus feitos.
Regressou, à relativamente pouco tempo, de umas “férias” abusivamente longas do outro lado do oceano e retomou o seu trabalho, no ramo da informática, explorando como pode os tempos livres para escalar e equipar novas vias.
Tem sido, por isso, um dos escaladores nacionais mais prolíficos e activos dos últimos tempos

LauraFrôxa&MartaXorona: Nuno, compreendes que por esta entrevista ser totalmente fora do teu conhecimento e consentimento, isto nos deixa com um enorme poder e liberdade de te pôr a dizer as maiores barbaridades, e tu não podes fazer nada quanto a isso?
NP: Sim.
Lf&Mc: E concordas com isso?
NP: Sim.
Lf&Mc: Regressaste há pouco de uma grande viagem às Américas. Tencionas contar ao público escalador como correu essa experiência?
NP: Essa é a minha ideia. Já tenho alguma coisa agendada lá para Norte do país. Em Lisboa ainda não está nada previsto.
Lf&Mc: Então podes adiantar alguma informação quanto à apresentação do Norte?...
NP: Vai decorrer com o apoio da Loja Inchaços Naturais do Porto, em Outubro, e a seu tempo, serão divulgados mais detalhes.
Lf&Mc: Diz-se que és a antítese do escalador de “talento genético”, e tiveste de “subir a pulso” com bastante esforço e assiduidade, para crescer e chegar onde hoje chegaste. O que te leva a investir tanto da tua vida nas viagens e na escalada?
NP: Faço o que mais me motiva na vida. Há alturas em que estou mais virado para equipar, outras em que quero é sair e ir conhecer outras culturas, outras pessoas, frequentar “Círculos de Pacificação”, sempre a explorar novas escolas de escalada e novas vias, de dificuldades maiores … para depois decotar.
Lf&Mc: A decotação é realmente um traço do teu carácter como escalador. Em alguma altura ponderaste o recurso ao apoio especializado… alguma ajuda… terapia… alguma coisa?
NP: Não. Nada disso funcionou comigo. Só se for a “terapia da broca” (Um 7c que também já decotei, para que conste).
Lf&Mc: Mas não achas que insistir em promover volatilidade do grau desinforma os potenciais escaladores?
NP: Normalmente tenho alguns cuidados. As coisas não são feitas de modo irresponsável. Sigo um método que se baseia em aguardar que a pessoa encadeie a via ou que a esteja a beira de a encadear, para então aparecer e, só então, decotar à bruta, sempre com maior respeito e cara de pau. Algumas pessoas reagem mal… Além disso não sou o único a decotar. Na verdade, o processo de decotação começa antes, pelas mãos de mais um ou dois escaladores. Se por exemplo uma via nova surge proposta de 8a+, há um decotador que a duras penas lá consegue encadear. Como é da praxis, traz a via imediatamente para 8a, logo, o seguinte escalador, que até já viu a via, do chão, ao tomar conhecimento que o outro a encadeou, decota instantaneamente para o patamar imediatamente abaixo, já para evitar que um pirata qualquer se lhe antecipe. É entretanto que apareço eu, que, ao receber um telefonema a dar-me conhecimento destes ocorrências, decoto quanto antes, logo ali e pelo telefone. Não vá aparecer alguém a tentar ultrapassar-me também a mim. É que, as oportunidades têm de ser agarradas e há um limite muito sensível na decotação. Não é possível decotar indefinidamente uma via. A arte está em decotar só até aquele ponto preciso em que já começa a roçar o absurdo e as pessoas começam a olhar à volta à procura de paus e pedras. A via, ao final, rondará o 7c ou mesmo, 7c+frouxo, consensual... Se bem que às vezes… decoto é mesmo à toa!
Lf&Mc: Mas, e quando te deparas com uma via que te leva dezenas de tentativas para encadear, será que não é de reconsiderar a cotação atribuída?
NP: Não sou eu sozinho “quem faz o grau”. Eu sou apenas um peão nesta engrenagem decotadora. O Capi Di Tutti Capo é outro. Neste meio, encadear e recotar uma via já decotada, seria sempre interpretado como uma fraqueza muito maior do que o facto de não ter sequer encadeado ainda a via. Não encadear ao 50º pegue é absolutamente irrelevante, decotar sim, é vital e inadiável. As pessoas em geral, ao verem-me dar tiros atrás de tiros, acabam por atribuir uma mística de inacessibilidade à via, pensam que “se eu que sou eu” ando ali aos papéis então “o melhor evitar aquela via”, e assim, preservo as vias de ficarem demasiado frequentadas. Já repararam que em Portugal há muito menos vias polidas do que nos países vizinhos e filas para escalar?
Lf&Mc: Nuno, muitas pessoas reparam que te queixas constantemente de “não estar em forma” ou de que a via tem passos “duros demais” mas acabas sempre por os resolver. Isso não faz de ti, ainda que remotamente, um parente da Marta Xorona?
NP: Também não é tanto assim. Se alguma vez dei a entender isso deve ter sido nalguma fase em que estive seriamente lesionado e em baixo de forma. Já houve alturas em que não conseguia fazer mais do que 7c. Num desses casos, foi uma fase particularmente difícil. Numa altura em que andei a equipar uma via de quase 30 metros, uma linha de regletes pequenas e passos ligeiramente um pouco demasiado bastante longos, em Sesimbra, seria sem dúvida um bom 7c, mas como na altura estava com bastantes dores nos cotovelos, só consegui encadear a via e já não cheguei a tempo de a decotar, porque alguém o tinha feito antes de mim. Talvez um dia destes dias reveja o caso particular desta via, se me aperceber que entretanto há alguém interessado em sacar-la, e reajusta-se então (Os 40 bate-chapas, Dente de Leão, 2006).
Lf&Mc: Mas tu andas sempre lesionado… já corre por aí que serias um bom candidato a Tutankamon da escalada portuguesa…
NP: Tenho feito por isso, embora sem grandes resultados… Tenho tentado cativar patrocínios junto das Para-farmácias. Sou um desgraçadinho e só me dou por satisfeito quando vir o meu busto no Campo dos Mártires da Pátria.
Lf&Mc: O que fazes quando não estás a escalar?
NP: Se não estou a escalar é porque estou a “pendurado como um presunto”, para apurar o fumeiro.
Lf&Mc: Quando escalas ao limite (e não só) é bem conhecido de todos a tua técnica gestual do “frango no assador”, ou seja, as “asas” bem afastados e apontadas para cima, postura a que os americanos chamam de “Chickenwing”. Como explicas esta tendência?
NP: É verdade. Não há via dura que seja realmente dura se não revelar o galináceo que há em nós. Se me apanho numa via nova em que não tenha de ferrar os alicates e baixar as orelhas à altura dos ombros… aí, meu amigo… a via salta logo um número inteiro para baixo… mas é que nem vale a pena argumentar!
Lf&Mc: E nos próximos tempos? Que projectos tens, que sonhos acalentas?
NP: Há muita coisa para fazer. Ainda tenho um punhado de projectos pendentes na zona de Lisboa. Na maior parte são coisas duras que não sei se alguma vez vou conseguir sacar. Sou demasiado fraco e débil. Sou um miserável que anda sempre de férias e constantemente a sofrer de graves encadeamentos em vias lixadas. Tenho também grande vontade de explorar mais a zona de Sagres, de onde surgirão, sem dúvida, das melhores vias de dificuldade em Portugal. Algumas com grandes distâncias entre chapas onde finjo que passo demasiado medo e encadeio na mesma, porque nem mereço o ar que respiro e até parece que os resultados me caem nas mãos sem eu estar à espera, rais-m'apartam...
Lf&Mc: Tens seguido uma trajectória de polivalência nas várias disciplinas que envolvem escalada em rocha, no entanto, fazes uma excepção com a competição, apesar de te encontrares entre os escaladores nacionais com melhores resultados a nível de “dificuldade”. Isso torna-te de alguma forma um bocado maricas?
NP: Sim. Na verdade a competição tem várias lacunas a meu ver. Em competição só tens uma única oportunidade de encadear a via, ou um tempo muito limitado para resolver um só problema de bloco. Este não é o meu perfil. Eu gosto de fazer render o peixe, e uma boa via ou um bom bloco tem de levar pelo menos uma quinzena de pegues. Não é que não conseguisse efectivamente resolver à primeira, mas tal como disse, há que fazer render o peixe e, finalmente, após uma sumária e sisuda ponderação… decotar “como Deus manda.
Outra grande limitação da competição é o carácter efémero das vias. Todas acabam por ser desmontadas. Uma boa decotação distingue-se por perdurar no tempo e na forma como ilude o maior número possível de candidatos ao encadeamento. Se a via desaparece, desaparece também com ela o efeito da afronta, o chamado “Sandbagging”. Admito que se, no futuro, se resolvessem estas condicionantes, a competição poderia contar comigo, até porque, imagino que estando junto com os outros decotadores de topo, nacionais, seria interessante começar por volta das 10h00 da manhã, com uma superfinal de cotada em 8a+, ir ao longo do dia fazendo os devidos ajustes, de maneira que o ultimo atleta que fosse chamado do isolamento encontraria a via muito mais “acessível”, digamos, algo à volta do 6a+, que é, nem mais nem menos, o que actualmente se usa nas competições a sério.
Lf&Mc: Só mais uma questão para terminar: Quando é que deixas de ser pendura de blogues?
NP: O que se passa nesta altura é que agora já tenho vergonha de abrir um blog para mim porque seria o último escalador a ter um, e logo eu que não gosto de ficar em último nem a feijões. Acima de tudo, também, porque neste mundo internautico ainda falta uma escala pela qual eu possa começar a decotar os blogs… Por exemplo, este vosso passava já para IV, vá lá um IV+ por ser de “começo-sentado”…
Lf&Mc: Em nome da equipa do Escalagem damos-te os sinceros parabéns e desejamos-te as maiores felicidades. Obrigado por estes momentos.
NP: …E eu queria aproveitar só para alertar as pessoas que visitam este blog para terem cuidado porque parece-me que…

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Laura Frôxa & Marta Xorona em "a assistência"


As frouxas

Então vai ser assim:
Agradeçam ao vosso miserável browser pelo azar de voz ter trazido até aqui e fiquem desde já avisados de que, num qualquer dia ó calhas, ainda vão ter que gramar com umas novidades.
Parece que doravante é capaz de aparecer por este estamine uma colaboração, ocasional, do género feminino.

Escusam de começar já com suposições parvas para tentar adivinhar quem de nós se submeteu à cirurgia, porque não se trata de nada disso. Apenas vamos ter visitas e portanto, comportem-se e moderem o linguajar nos comentários e palpites que deixam em top, que isto já não é “a da Joana”.

Quanto à concorrência bloguista, parece que já os estou a ver com os teclados esmurrados ao saber de mais este nosso golpe sexista na corrida aos números de visitas.
Uma baixeza de golpada de génio só comparável ao retroequipamento de vias ultimamente em voga.
Já se sabe que isto basta acenar com uma vaga e insidiosa sugestão de que vai haver mulheres e cordas... e deixar a imaginação do leitor trabalhar por nós...

Agora vou olear o contador de visitas, que isto promete.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

resistência à frouxidão (parte II)

stop press! há mais frouxidão do que vocês pensavam

ouve-se por aí, nas ruas, dizer que já há se organizaram facções de inspiração fundamentalista, como reacção aos surtos de resistência contra a frouxidão. na verdade até já me cruzei com alguns deles numas visitas acidentais a umas falésias. se a memória não me atraiçoa, um desses encontros foi algures no algarve, e cabe-me relatar o encadeamento á vista e á flash de vários V+, 6a's, 6a+... vias grandes, vias pequenas, 1 largo, 2 largos... tudo!
Para mim a via mais significativa desta nossa vaigem foi a "Iceberg", na Rocha da Pena, Algarve. Um 6a+/b brutal com uma linha super estetica, com regletes, puxadores, invertidos, escorrencias... c/ distancias entre expressos de fazer corar o diabo (a 1ª plaquete devia tar +/- a 5mt do chão ). Nao me saiu á primeira. Aliás deu p voar um bocadinho devido a um calcanhar no sitio errado, mas deu-me um goso tremendo sacar esta menina á vista . E duma outra vez, em que consegui sacar á 2ª tentativa e á vista a via "Vaselina" um 6a+ curto mas intenso, do sector Penedo Norte .


Normalmente não perfilho de posições de extremos, mas não escondo prazer em observar como as gerações emergentes prosseguem no bom caminho e na redefinição do melhor estilo.
É um deslumbre observar como os nascituros de 80 exploram novos limites, quer seja no campo da escalada clássica , quer sejam primeiras ascensões em terreno novo:
muito bem , assim é que é , isso mesmo, dá-lhe ! Venga !

a resistência à frouxidão

estou neste momento numa tranquila ilha mediterrânica, a banhos.
devido à reduzidíssima área da ilha e com os seus naturais ajustes às limitações espaciais, os teclados dos computadores não dispõem de comutador das maiúsculas, o que é compreensível.
peço por isso e desde já desculpas a todos os leitores e professores de português, por esta redacção.

a este confim chegou um boato, muito vago, de que estaria em curso a organização de um comando separatista de resistência à frouxidão, constituído por amazonas lusas.
segundo dizem, já houve um incidente que resultou no encadeamento de uma via de oitavo grau, sem qualquer aviso prévio.
nada que eu não conseguisse fazer também. a via em causa também eu já estive quase a encadear, só que nesse dia, devido a umas confusões a localizar a linha, acabei por sacar a segunda à direita dessa, inadvertidamente. não era bem o que eu queria e por isso não quis correr mais riscos.

actualmente só escalo no meu teclado porque descobri que consigo dactilografar 8a muito mais depressa do que consigo encadeá-lo.

esta coisa de quem encadeia primeiro e podia ter encadeado antes recorda-me, duma situação similar à que já foi relatada por um amaricano, fredrick a. weihe, e que já se passou comigo também.
então foi assim:
eu e dois amigos, fomos escalar. queríamos acrescentar à caderneta de encadeamentos, três linhas emblemáticas duma escola local, de seus nomes: “agora”, “a seguir” e “depois dessa”. os escaladores eram isabel i. ela, zé e. alguém, e eu.

alguém perguntou se ela queria abrir a via agora. ela respondeu que não, que queria abrir a seguir e eu perguntei, agora? disse-me que não, que ela ia subir a seguir depois dessa, e eu fiquei confuso e tentei saber se alguém queria escalar a seguir. ela não queria, mas foi, só que não era agora. eu disse que estava tudo bem por mim, porque eu queria escalar agora e ela podia escalar a seguir e alguém vai escalar depois dessa. no entanto ela estava a preparar-se para subir agora, e eu disse ei! alguém disse que ela podia subir a seguir e disse que não ia, então ela disse: quem vai escalar a seguir? eu escalo agora, e ela escala depois dessa. ficou então decidido que alguém tinha de escalar, e assim fizemos.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Nós não somos frouxos, apenas usamos pó de talco!!

Vi, há dias, uma reportagem da sic mulher. Antes que comecem com merd… com coisas, há que dizer que era sobre escalada. E não é que estivesse a ver a sic mulher nem nada disso, só vi porque estava neste blog. Já sei o que estão a pensar: “O que faz um gajo como o frouxo a ver um blog sobre escalada?” Não vamos por aí, todos têm os seus momentos de fraqueza. Adiante. A peça até está bem elaborada (sempre é mais interessante que a Oprah) e mostra um certo empenho em divulgar a modalidade na sua vertente mais positiva, mas vocês não vêm a este blog aqui para nos ver a tecer comentários elogiosos ao que quer que seja. Vocês gostam é de sangue. E como nós também só estamos bem a achincalhar, vamos a isso.

Vejamos então a primeira frase: “O magnésio não é pó de talco” O interveniente percebe de pó de talco. Ninguém lhe dá lições sobre pó de talco. Rocha não é rabinho de bebé. Rocha, magnésio. Rabinho de bebé, pó de talco. Estamos entendidos.
Passemos agora à segunda frase: “É um pó que serve para secar a humidade das mãos e, dessa forma, reduzir o atrito”. Hummm.... reduzir o... atrito? Mmmmm... Pois... Confesso que aqui me surgem algumas dúvidas acerca dos conhecimentos do escalador. Uma hipótese é a de que, apesar de perceber de pó de talco, não percebe nada de mecânica clássica. Porque se há coisa que sirva para reduzir o atrito, essa coisa é mesmo pó de talco. A segunda hipótese é a de que não percebe grande coisa de escalada. É que da última vez que experimentei escalar, disseram-me que um dos truques da cena é usar a força do atrito (assim de repente lembro-me da borracha dos pés-de-gato) para vencer a força da gravidade. Queria, no entanto, deixar claro que esta segunda hipótese é absolutamente fantasiosa. Até porque aqui os únicos que não percebem de escalada e têm, consequentemente, o direito de proferir barbaridades desse quilate, somos nós. Ficámos ofendidos e tudo.
Talvez seja muito mais simpático admitir uma terceira hipótese... a de que, se calhar, não percebe muito acerca do significado do verbo "reduzir". Sim, esta hipótese não faz muito sentido. Mas escalar em atrito também não. Sobretudo se forem vias de aplats.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

A frouxidão do plágio

Para todos aqueles que tiveram o bom senso de não vir ao nosso blog nos últimos dias, passo a explicar: O escalagem sofreu um insidioso plágio por parte de um personagem que, numa tentativa disparatada de ter graça, nos surripiou os textos e os colocou, mal e porcamente, no contexto de um bar. Por muito que nos honre ver a nossa humilde espelunca elevada à categoria de tasca de terceira, repleta de marinheiros de faca afiada, mulheres de má vida, cerveja fria e sangue quente, é de convir que algumas… aham, “adaptações”, vamos chamar-lhes assim, dos textos não eram propriamente brilhantes. Se a base de “inspiração”, vamos também chamar-lhe assim, já era um pouco confusa (resultado das mentes tortuosas e altamente baralhadas dos seus autores) imaginem ler posts do escalagem em que a palavra “escalada” é substituída por “cerveja”. Não faz sentido… embora acredito que haja alguns leitores para quem a coisa soe às mil maravilhas.

Bom, o que interessa é que poderíamos berrar aos quatro ventos “aqui d’el rei”, poderíamos insurgir-nos contra a corja aviltante que nos rouba as ideias e as palavras, poderíamos denunciá-lo, arrastar o nome dele pela lama e expô-lo ao ridículo, poderíamos até empreender uma cruzada até ao norte do país, mais concretamente a Viana do Castelo, munidos de um camalot #5, até descobrir o PC por trás do qual se encolhe a criatura de fraca inspiração e ainda menor discernimento, cujo nome, já agora, só naquela e sem qualquer espécie de ressabiamento, é Diogo Moreno. Mas nós somos pessoas elevadas. Somos melhores que isso. Esperem, perceberam mal, também não vamos usar um camalot #6. Somos melhores noutro sentido. Em vez disso, lamentamos o infortúnio do desgraçado que, qual meliante que arranca cobardemente a sacola de uma criança para vir a descobrir que o produto do seu furto não é mais que um rascunho de apontamentos, umas meias sujas da educação física e um ovo podre que sobrou de um almoço algures do ano passado, teve o azar de não encontrar um blog melhor que o nosso para plagiar. É fácil de imaginar que o resultado não podia ser mais desastroso. Tenhamos, por isso, compaixão. A triste sina do nosso desafortunado gatuno terá sido o facto de se cobrir de ridículo de cada vez que publicava no seu blog um dos nossos textos. Haverá pior sorte?

No meio disto tudo, só é pena que, assim que o plágio foi descoberto, o respectivo blog tenha sido exterminado pelas mãos do seu autor. Lá se foi a única prova que alguém nos lia. Enfim, resta-nos o peito inchado de orgulho. Ser plagiado não é para todos. Sobretudo quando não se é lido pela Clara Pinto Correia.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Frouxo! ...ouxo... oxo...ox... És tu? ...tu...tu...ú...

"É do carago senhores ouvintes!"...
...mas este estaminé parece que faz eco.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Frouxidão no submundo do crime violento

Algures numa viela escura deste país:
Jovem via - AH!!...
Escaladrão - Pxxt! Caladinha! Caladinha senão arranco-te as argolas, carago!
Jovem via - P-p-porfavor não me faça mal! Nn-não me faça mal!
Escaladrão – Quieta! Não te mexas… senão... já sabes!... Onde é elas’tão? Hã?! Onde é que tens aí presas boas?! Hã?!
Jovem via – M-m-mas eu sou apenas uma pobre jovem via e muito pobre de presas mesmo. Não trago comigo nada grande de valor que se agarre. Sou assim mesmo. Difícil de “ler” e com passos duros… N-não me faça mal! Por favor…!
Escaladrão – Xxxt! Pouco alarido!! … Onde é que elas ‘tão?!
Jovem via – Calma, calma! há ali! Bem mais à esquerda… mais… Uma fissura que afunda assim… assim, e com o polegar agora… mas não faça isso... Essa já pertence à…
Escaladrão – Shxt! quem sabe s'é fora ou dentro da linha sou eu! Só tens isto? ?! Epá! Olha que se eu caio daqui pá!... Nem sei o que te faço!
Jovem via – P-p-por favor! Não aperte assim comigo que eu sofro muito das minhas microregletes frágeis!...pode-me partir alguma coisa!... Pronto! Tem também ali umas presas maiores! Ali… mais á direita… mais… ainda mais… aí… um tridedo fundo e depois é só seguir pela lasca grande e continuar pelos buracos todos mais à direita!...Aii!
Escaladrão – Assim é que é! Colabora que pode ser que te safes! Aprecia só! Isto é que é “em livre” à minha moda! Sua cagada! … Já vais ver! (Puf! Puf!)
Jovem via - Cuidado! Está a magoar a minha identidade, seu bruto!... Isso já é a outra via!
Escaladrão – Calada! Caladinha! Não se juntassem tanto umas às outras se não queriam sujeitar-se!...é para aprenderem! (Buf! Buff! Arf!) Pára de te mexeres! Olha que se me escorrega o pé, eu…
Jovem via – Nunca ninguém me tratou assim! V-você havia de cair em pêndulo daí e raspar com o cú no chão como um fósforo! S-s-seu ordinário!
Escaladrão – Há-há-há! Háá-há-háá! Já é minha! … À VISTA! À VISTA!...
Jovem via – (funga-funga) … ninguém vai deixar passar isto!

Escaladrão - Pá! Qués-cá-vir flashar isto? … desce-me!
Escalatoteiro – ’Táva a dar segurança mas não tava a olhar! …Deixa tudo, que também vou tentar à vista!
Escalarápio – Vai lá que tu também consegues! Vou a seguir… Põe aí duas compridas na quarta que me parece que é melhor proteger dos invertidos de baixo que do bidedo de cima da pança… Isso! E … Isso! Uma marquinha aí nessa… a do pé… nessa! Esqueço-me sempre dessa! … Boa! Bem feito!

p

quinta-feira, 24 de maio de 2007

"F.rouxo C.onsegue S.acar"

TAU!
TAU!!
^
- O que é que foi isto?... Que barulho foi este?!... O
- ... Oh! foi só um gajo que deu dois tiros à Morte.h
- ... E acertou-lhe?
- Parece que sim ...
%

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Afrouxamento de Responsabilidade Civil

(Manifesto de um autor de croquis de escalada)

Aviso a todos os potenciais interessados em vir escalar as vias ilustradas nestes croquis ou muito simplesmente visitar o sítio de forma fortuita e desinteressada ainda que “como quem não quer a coisa”, e a todos os que simplesmente façam referencia à escalada neste sítio, em conversas casuais de “barra de bar”, devem primeiro ler isto!!


A escalada é um desporto perigoso. Natureza é imprevisível e insegura. As montanhas, os afloramentos de rocha, as arribas marinhas e blocos rochosos são perigosos. Muito se tem escrito acerca destes perigos. Leiam os livros e frequentem muitos cursos.
As vias de escalada são perigosas.
As vias de escalada podem ou não estar equipadas com as chamadas “protecções fixas”.
As protecções fixas podem, ou não, estar bem fixas. Muito possivelmente estão bem colocadas, embora seja possível que, afinal até nem estejam. Aliás algumas poderão cair só de se olhar para elas.
Se não estás disposto a encarar este risco, não escales aqui! Se não gostas de escalar, não escales e quanto mais tempo escalares, maiores são as hipóteses de vires a ter um azar qualquer.
Não me comprometo a inspeccionar ou fazer manutenção do equipamento fixo das vias. Tanto quanto sei, qualquer uma das protecções pode, e muito possivelmente, vai falhar, num momento crucial despenhando-te a ti e ao teu companheiro de cordada e pelas ribanceiras abaixo, espalhando vísceras ao som de gritos arrepiantes que irão ecoar pelas memórias dos espectadores, pelo resto das suas vidas.
Se achares que as vias têm protecções a mais, não subas. Se achares que as vias têm protecções a menos, não subas. Se da tua apreciação visual prévia, entenderes que as protecções estão mal colocadas, não subas. Busca outras vias noutro local, que não tenham sido equipadas por mim nem sigam esta filosofia de aberturas.

O acesso às vias é perigoso. Há consequências nefastas à espreita em cada canto. Há toneladas de pedras prontas a cair em cima de ti ou de qualquer outra pessoa.
O caminho está cheio de arbustos e árvores, muitas das quais estão ali e ali nasceram sem consideração da necessidade de passagem de pessoas, muito menos a passagem de pessoas em conforto e segurança. Inclusive as pedras, cascalheiras, blocos e lama estão lá para te tornar difícil o acesso. Muitos obstáculos estão dissimulados no terreno, sendo quase impossível detectá-los a tempo de os evitar Os ramos crescem por onde lhes dá na gana e as silvas só têm um propósito na vida: esfarrapar a tua roupa, a tua pele e a tua alma. Culpem os silvados e as trepadeiras que quiserem mas não me culpem a mim.

Não prometo inspeccionar, manter ou supervisionar nenhum dos elementos naturais ou artificiais nas primícias da zona de escalada ou dos seus acessos, nem dos trajectos percorridos pelos visitantes.
Não tenho nem assumo qualquer encargo pela manutenção dos caminhos de acesso à zona de escalada ou quaisquer outros. Na verdade, os encargos da manutenção de muitos desses carreiros estão apenas entregues ao gado caprino, que não está minimamente preocupado com a segurança e bem-estar dos humanos.
Caminhem apenas pelos carreiros marcados. O terreno além de ser perigoso é também complexo. Há grandes hipóteses de uma pessoa se perder, e na verdade, é o que provavelmente vai acontecer. As chances de uma pessoa se perder aumentam após o ocaso, devido à má visibilidade. O ocaso nesta zona costuma ocorrer pelo menos uma vez por dia. Estes são apenas alguns dos perigos possíveis, existem dezenas de outros que pelo facto de os não ter mencionado não significa por isso que me responsabilize por o que quer que seja. Vivam com isso ou afastem-se deste sítio.

Se tropeçares ou escorregares é muito provável que resultes ferido. Se cais nestas vias, morres logo (ou então, após largos momentos de agonia). A tua integridade física não está salvaguardada em momento nenhum do tempo em que aqui permaneceres. Podes morrer a qualquer momento, de dia ou de noite. Aliás pode-se morrer só de ler este manifesto, sem que daí se possa presumir a minha responsabilidade. Que fique claro que não tenho nada que ver com isso. Considerem-se avisados.

Acrescento ainda, que os ferimentos no orgulho próprio, sejam os advindos do facto de se tropeçar como um bêbado, só para chegar à base das vias ou de não se conseguir proteger a primeira chapa e a segunda ou mesmo as seguintes, não são da minha responsabilidade. O facto de que as vias já tenham sido encadeadas por meninas imensamente mais jovens e débeis e “em baixo de forma”, e que vocês não consigam sequer mexer-se, é problema vosso. Eu não tenho nada que ver com isso e nem quero saber.

Bocados de rocha de diversos tamanhos podem, e provavelmente irão, cair sem aviso prévio. Isto pode ocorrer por causas naturais ou provocados por pessoas na área, tais como escaladores acima das vossas cabeças. Se não acreditam espreitem ao longo das franjas das falésias e observem a quantidade de blocos espalhados. Eles não brotaram ali simplesmente, como as florzinhas. O uso de capacete é altamente aconselhado, porém, mesmo usando capacete, nada impede que blocos inteiros da parede caiam em cima de ti, deixando apenas uma nódoa de gordura marcada no chão. Não penses que não pode acontecer porque possivelmente vai acontecer.

É conveniente trazer vestuário adequado e em quantidade suficiente. Hipotermia, desidratação, golpes de calor, gelo e granizo, torrentes e relâmpagos podem matar-te, independentemente do prognóstico meteorológico. A chuva pode tornar-se numa armadilha mortal. Pode afogar-te se estiveres a olhar para o céu com a boca aberta. ¢Os riscos associados à queda de neve podem ser ainda mais graves, indo desde moderados combates de bolas de neve a verdadeiras avalanches de proporções monumentais. Que azar... mas não é culpa minha.

Pode fazer um calor insuportável. Olhar directamente para o Sol faz mal. O vento pode soprar de forma incómoda. Pode anoitecer de repente e de forma inadiável. O mato e os bosques nas imediações podem estar sujos demais ou limpos demais. Há insectos que são molestos, flora urticante, fauna agressiva, musgo, líquenes. Os dejectos orgânicos de imensas espécies diferentes polvilham, ainda que de forma quase imperceptível, todos os recantos desta zona. Por vezes podem cair galhos das árvores ou outras cenas atiradas por pessoas na zona. Há merdas que acontecem de repente, sem aviso nem explicação, é assim a vida! Ficai cientes de que nada tenho que ver com isso. Por todos os males referidos, responsabilizem os vossos companheiros, ou o vosso cão, a vizinha ou o governo… mas não me responsabilizem a mim!

Este não é um ambiente esterilizado. Bactérias, vírus, protozoários, coliformes, fungos e outras formas de vida que podem estar ou não incluídos no reino animal ou vegetal podem causar danos graves à saúde e levar à morte. Estes elementos nocivos podem ser próprios da zona e encontrar-se nas plantas ou animais e mesmo nos vossos companheiros. Eu não vou assumir responsabilidade por isso. Lavem as mãos antes e depois de ir à casa de banho e antes das refeições. Não se envolvam em sexo sem protecção nesta área. Se alguma coisa acontecer nem sonhem em imputar-me qualquer tipo de culpa no assunto. Nicles. Népia. Nada de nada.

As vias podem ou não, ter presas que magoam, podem ser muitas ou poucas, boas ou más de agarrar. Se não gostarem, vão-se embora. Se gostarem, não me responsabilizo por quaisquer ferimentos ou lesões contraídas por agarrar as ditas presas. Na verdade nem me responsabilizo se alguém se aleijar mesmo antes de chegar as presas e tão-pouco assumo responsabilidade se golpearam um dedo no mesmíssimo papel do croqui.
O presente Croqui é muito pouco preciso e está baseado em recordações vagas, abundantes doses de suposições e até mesmo, mentiras descaradas. De forma nenhuma conta a tudo o que seria relevante saber acerca do local. Se vos acontecer alguma coisa culpem-se a vocês próprios.

Se pretendem utilizar o croqui com fins lucrativos lembrem-se de assumir o pagamento dos direitos de autor. Se por outro lado pretenderem obter satisfações pela má qualidade das ilustrações e informações enganosas … Foi apenas um papel que apanhei do chão. A bem dizer nem sei do que estão a falar. Caguei.
Se pretendem policopiar o croqui e distribui-lo pelos amigos e conhecidos é da vossa conta e risco. Eu não recomendo a zona nem as vias. Ao transmitir o croqui por alguma forma escrita, electrónica ou telepática, não assumo compromissos sobre a veracidade dos dados neles contidos.

Esta zona de escalada tem os acessos que tem, e não melhores. Tem as estradas que tem e os parqueamentos possíveis, e não melhores. Não me ralo minimamente se tiveram que andar meia hora para aqui chegar e se o vosso carro está a entupir o caminho do agricultor. A zona pode estar ou não, sujeita a radiações nefastas, provenientes de postes de alta tensão ou telemóvel ou quaisquer outras. Estou-me borrifando se a referida radiação afectou a vossa capacidade de reprodução ou vos tenha provocado algum tipo de disfunção orgânica. De qualquer forma, era o vosso gozo e não o meu!

Esta zona pode estar, ou não, ao alcance da rede de telefone móvel e demais meios de comunicação. Os meios de socorro podem tardar, ou não aparecer de todo, caso haja outras ocorrências mais urgentes ou importantes do que salvar a tua vida.
O percurso de acesso não está, nem estará homologado para tal. Assim como as vias não estão certificadas por nenhum clube da escalada, empresa, seita, partido político, lobby do turismo.
Não há “sinais de pista pedonal”. A sinalização, se houver, pode ter sido vandalizada, alterada, ou simplesmente pode ter-se desvanecido em cinzas, na fogueira de sábado passado, por baixo das entremeadas. Não me perguntem qual o caminho “ e porque faltam sinais de 10 em 10 metros” e tal… Nesta zona morrem centenas de pessoas por ano. Disse centenas? Não! Milhares de escaladores mortos… Muitas das vítimas eram apenas crédulos inocentes que casualmente vinham a passar. Não é o teu caso, tu foste avisado. A vida é dura para todos. Eu também queria um cavalo cor-de-rosa às bolinhas azuis e não tenho.

Não responderei quando me perguntem o grau de dificuldade das vias, sem a presença de um defensor oficioso nomeado por um Juiz de tribunal competente.
Não há “casas de banho” e todo conceito de higiene pública é, no mínimo, “rústico”. Se debaixo de cada pedra estiver uma “surpresa”, não fui eu. Posso até ter sido. Mas não fui eu e não me vou pronunciar mais acerca deste assunto. Ponto.

Os outros visitantes podem ter comportamentos que vos são desagradáveis, chegando a ser nojentos até, e barulhentos ou calados demais. Inclusive os visitantes autorizados nesta zona podem sofrer diversas aberrações mentais que podem ter desfechos que vão desde a simples aspersão de mau hálito até ao massacre indiscriminado de pessoas, animais e mulheres. Podem aparecer loucos armados e prontos a disparar Podem encontrar-se, já no local, pessoas dementes e criminosos ou pessoal em "maré de azar" com mau karma contagioso. Esse assunto não é comigo!

O autor das vias, se ainda as houver, ou do croqui, não se assume culposo por nenhuma ocorrência nefasta para a saúde ou para os egos dos visitantes. Por isso, não venham. Não digam nada a ninguém sobre este sítio. Neguem tudo. Não respirem o ar desta zona. Nem sequer olhem nesta direcção. Morte. Dor.
Este manifesto é, também, especialmente dirigido àqueles em busca de lacunas neste texto pelas quais possam infiltrar as suas insidiosas argumentações como forma de perverter os propósitos originais do autor e de lhe imputar qualquer tipo de responsabilidade ou grau de culpa que não lhe pertence de forma e modo algum. Nadinha mesmo.

Muito obrigado pela atenção. Escalem com segurança, e divirtam-se.

terça-feira, 27 de março de 2007

As férias da Páscoa estão a chegar, Frouxo!

Caríssimos leitores,
Aproxima-se mais uma quadra de férias pascoais.
É com esse espírito vos ofereço alguns pontos de reflexão para as merecidas férias. Um dos enigmas da proto-história da Escalada/Montanhismo que ainda hoje persistem.
Refiro-me a aquele tema, ainda hoje em aberto sobre o alegado mérito das ascensões de vias, em estilo alpino, abertas por Jesus “Cristo”, protagonista destes dias do calendário.

Vejamos:
Há quem lhe negue mérito, argumentando que não pode ser considerado grande escalador, montanhista ou alpinista, como queiram apelidar) e que o seu único feito de relevo foi a abertura da via Normal ao Monte Gólgota, a chamada “Via do Calvário” (Pd ou Ae/1c±, 25º), integrando uma expedição romana, de estilo pesado, pendurando-se várias vezes dos pitons instalados.
Se a estes elementos acrescentarmos que não sobreviveu à descida dá-se conta do pouco, que na verdade reverteu do seu feito. Se bem que há quem afirme que Jesus “Cristo” sobreviveu ao bivaque graças a umas vestes de ressu-rex, da firma então embrionária, Glori-tex. A mesma que mais tarde veio a estabelecer laboratórios de investigação das tecnologias do vestuário, em Turim.
Ficou, então, posta de parte a qualidade do estilo por não ter havido lugar a encadeamento no genuíno sentido do conceito. Os sagrados critérios aplicados nessa avaliação, ainda hoje se conservam, à custódia da Basílica de Oitänû, na Suécia.

O que é facto é que enquanto que a sua cruz estava equipada com pitons, as dos companheiros que com ele alcançaram o cume, tinham apenas algumas anéis de cordelete, o que levanta a questão, se de facto Cristo estava adiantado para a sua época pela utilização de equipamento fixo ou se por outro lado a sua subida aos céus foi de todo, pouco ética.

Há ainda que recordar que a ascensão foi precedida de um bivaque difícil, caracterizado pelo mau relacionamento com outros membros da expedição, correndo, à boca pequena, que teria havido abusos e recurso a bocados de corda dupla para frisar diferenças de opinião, diferenças essas teriam ficado visivelmente vincadas até…
Supõe-se que o tema de discussão versava a má distribuição do peso de equipamento entre os membros da expedição e papéis de liderança. Como se sabe, coube ao “Cristo” o transporte dos volumosos tacos de madeira, cruzados, como era usança de então, naquele tipo de ascensões. Por aqui se deduz muito da condição física e valor deste protagonista.

Ainda em seu mérito cumpre recordar as origens do cognome “Cristo”, o escalador oriundo da zona da Nazaré, adquiriu este epíteto, graças à criatividade na resolução daqueles passos difíceis, que tantas celestiais “portas” abrem, partindo exactamente, da posição de extensão lateral máxima dos membros superiores. Uma verdadeira revolução na análise da motricidade, aplicada à escalada.

No seio dos cépticos, há quem automaticamente impute à mentalidade campista dos primeiros tempos, todas as fórmulas de proceder questionáveis: “no fundo, tudo isto provém da inconsequência de acções dos antecessores”.
Ainda se contam relatos dos proféticos nomes sonantes de tempos anteriores, que na ânsia de fugir do bulício e stress das cidades egípcias teriam organizado rock-trips de numerosos elementos, o que , no entanto, surtiu pouco do ponto de vista do rendimento desportivo, visto que se veio a verificar que o destino escolhido, a dita terra de escalada prometida, afinal tinha demasiadas vias de presas polidas, e ao contrário do esperado, afinal corria mais vinho do que o leite e mel prometidos inicialmente.

Por último, há a destacar que há frases ambíguas, contidas nas biografias apócrifas de Jesus, de alguma forma contraditórias, como por exemplo na célebre frase: “Quem pelo ferro mata, pelo ferro morre”. Uns dizem que a mensagem contida é puramente anti-escalada desportiva e outros permanecem convictos de que se trata de um claro aviso aos que roubam protecções ou as martelam.

Talvez algum esclarecido leitor possa trazer luz sobre estas questões…

Boas férias!

quinta-feira, 1 de março de 2007

Parabéns, Nuno Pinheiro!

Mais vale tarde que nunca. À semelhança do blog da bolinha, também nós não quisemos deixar de prestar homenagem a uma figura que sempre foi, é e continuará a ser motivo de inspiração para os escaladores portugueses.



Fica também a explicação do post anterior para todos aqueles que são demasiado fortes (ou estavam demasiado pedrados) para o perceber. Como se diz, uma palavra vale mais que mil imagens... ou a imagem é que vale mais que mil palavras... bom, uma cena assim.

Para todos os que repararam que não utilizámos a palavra frouxo e derivados no título deste post, sugiro que leiam o título com mais atenção e que, em seguida, vão a um dicionário de sinónimos consultar o significado da palavra "frouxo". Dou uma pista: Um dos sinónimos não é "Parabéns".