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segunda-feira, 2 de julho de 2007

Frouxidão no submundo do crime violento

Algures numa viela escura deste país:
Jovem via - AH!!...
Escaladrão - Pxxt! Caladinha! Caladinha senão arranco-te as argolas, carago!
Jovem via - P-p-porfavor não me faça mal! Nn-não me faça mal!
Escaladrão – Quieta! Não te mexas… senão... já sabes!... Onde é elas’tão? Hã?! Onde é que tens aí presas boas?! Hã?!
Jovem via – M-m-mas eu sou apenas uma pobre jovem via e muito pobre de presas mesmo. Não trago comigo nada grande de valor que se agarre. Sou assim mesmo. Difícil de “ler” e com passos duros… N-não me faça mal! Por favor…!
Escaladrão – Xxxt! Pouco alarido!! … Onde é que elas ‘tão?!
Jovem via – Calma, calma! há ali! Bem mais à esquerda… mais… Uma fissura que afunda assim… assim, e com o polegar agora… mas não faça isso... Essa já pertence à…
Escaladrão – Shxt! quem sabe s'é fora ou dentro da linha sou eu! Só tens isto? ?! Epá! Olha que se eu caio daqui pá!... Nem sei o que te faço!
Jovem via – P-p-por favor! Não aperte assim comigo que eu sofro muito das minhas microregletes frágeis!...pode-me partir alguma coisa!... Pronto! Tem também ali umas presas maiores! Ali… mais á direita… mais… ainda mais… aí… um tridedo fundo e depois é só seguir pela lasca grande e continuar pelos buracos todos mais à direita!...Aii!
Escaladrão – Assim é que é! Colabora que pode ser que te safes! Aprecia só! Isto é que é “em livre” à minha moda! Sua cagada! … Já vais ver! (Puf! Puf!)
Jovem via - Cuidado! Está a magoar a minha identidade, seu bruto!... Isso já é a outra via!
Escaladrão – Calada! Caladinha! Não se juntassem tanto umas às outras se não queriam sujeitar-se!...é para aprenderem! (Buf! Buff! Arf!) Pára de te mexeres! Olha que se me escorrega o pé, eu…
Jovem via – Nunca ninguém me tratou assim! V-você havia de cair em pêndulo daí e raspar com o cú no chão como um fósforo! S-s-seu ordinário!
Escaladrão – Há-há-há! Háá-há-háá! Já é minha! … À VISTA! À VISTA!...
Jovem via – (funga-funga) … ninguém vai deixar passar isto!

Escaladrão - Pá! Qués-cá-vir flashar isto? … desce-me!
Escalatoteiro – ’Táva a dar segurança mas não tava a olhar! …Deixa tudo, que também vou tentar à vista!
Escalarápio – Vai lá que tu também consegues! Vou a seguir… Põe aí duas compridas na quarta que me parece que é melhor proteger dos invertidos de baixo que do bidedo de cima da pança… Isso! E … Isso! Uma marquinha aí nessa… a do pé… nessa! Esqueço-me sempre dessa! … Boa! Bem feito!

p

quinta-feira, 24 de maio de 2007

"F.rouxo C.onsegue S.acar"

TAU!
TAU!!
^
- O que é que foi isto?... Que barulho foi este?!... O
- ... Oh! foi só um gajo que deu dois tiros à Morte.h
- ... E acertou-lhe?
- Parece que sim ...
%

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

diário de um frouxo

Querido bló:

Têm sido dias muito ocupados, estes. A escalagem rouba-me tempo para as coisas realmente importantes na vida, como escrever neste estaminé. Mas sinto que está a valer a pena. O projecto está cada vez mais perto. Ontem dei-lhe o pegue nº 425 - o terceiro à frente. É óptimo ver que já começo a ir à frente com regularidade.
Mas as boas notícias não terminam aqui. Sinto que estou cada vez mais consolidado na via. Há vinte pegues que a coisa não me corria tão bem. E, confesso, já estava a desanimar. Mas ontem voltei a cair novamente no passo da reglete. Ou seja, semana sim semana não, chego à reglete. Antes era de mês a mês! Há aqui, sem dúvida, uma evolução. Não há-de faltar muito para que comece a pensar em lançar para o bidedo. Depois disso, quem sabe? Tudo é possível. Até chegar ao passo duro a encadear!
Mas por enquanto importa manter os pés bem assentes na terra. E concentrar-me no que tenho para optimizar. Estou quase a fazer a secção de continuidade de seguida! Há um passo do meio que já não me custa tanto. Foi só mudar o pé para a parte direita da prateleira, e pumba! já sai em estático. Quem sabe não foi esse bocadinho de energia que poupei que me fez agarrar a reglete, colocar o pé na presa e, imediatamente antes de cair, olhar para o bidedo com determinação! É altamente motivante perceber que estou a evoluir na via. Mal posso esperar para lá ir de novo!

Bem medidas as coisas, estou convencido que o 6a sai mesmo este ano. É tão bom começar 2007 com optimismo…

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

a frouxidão dos passitos

Não sei porquê, caio sempre nos passitos. A malta diz-me "ah, a via é uma cagada, só tem um passito ali a meio". E eu vou todo contente, chego à via e faço os passos todos, faço o passo antes, o passo depois, só não faço o passito. Normalmente o passito é uma cena do estilo agarras o monodedo que está no cú de Judas, epá, espera lá, monodedos no cú de Judas não me soa bem, pronto, o monodedo em cascos de rolha, nunca percebi o que são cascos de rolha, será que as rolhas têm cascos, se têm nunca os vi, e depois sobes os pés numas cacas e lanças ao bidedo bom. Claro que os passitos não são sempre assim, às vezes sobes em regletes de menos de uma falange enquanto tens os pés em cacas, para depois lançares ao bidedo bom. Ou ainda, agarras aquela lateral mesmo má e, pés na caca, lanças como se não existisse o amanhã para o bidedo bom. Em qualquer dos casos, acertas acima, abaixo, ao lado, mas nunca chegas a agarrar o bidedo bom. O que é uma pena, porque o bidedo bom é mesmo bom. Aliás, é esse bidedo bom que dá a cotação de dois graus abaixo do que a via realmente custa. Tudo porque o pessoal forte se agarrou ao bidedo bom e viu "eh, pá, isto é mesmo bom. Que cagada!"
As vias de passitos fazem lembrar-me as francesinhas, por causa do diminutivo. Um gajo pede um pastelinho de bacalhau e come-o de uma dentada. Chega a casa de um amigo e oferecem-lhe um bolinho. Ou uma bolachinha. E julga que a francesinha também é coisa para se comer de uma só vez (a descrição pode enganar, mas refiro-me à iguaria, não à cidadã de origem francófona). Um gajo até se arma em lambão e pede duas, a pensar "bom, avio já isto tudo, nem demora dez minutos" ou "ui, que vai saber tão bem". Volto a lembrar que continuo dentro do domínio da gastronomia. Depois quando chegam à mesa é que um gajo percebe que as francesinhas parecem francesonas. Afinal de contas, é coisa para andar de volta daquilo durante horas. No fundo, como nos passitos.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

a frouxidão das opiniões

Desde que este blog apareceu uma pergunta tem percorrido o espírito da comunidade escaladora internacional: Mas afinal quem é este parvo? E há quanto tempo permitiram o acesso à Internet nos hospitais psiquiátricos? E qual o impacto deste blogue na comunidade escaladora? E porque é que, a contar com esta, já vamos em quatro perguntas? Não era só uma? Para dar resposta a algumas destas questões falámos com alguns destacados membros da nossa comunidade e pedimos-lhes que dessem a sua opinião sobre o que acham deste blogue. Reparem nesta frase: "a sua opinião sobre o que acham deste blogue". Fenomenal, hã? Não é para todos. E, sinceramente, nenhum dos meus entrevistados esteve à altura. Uns deram-me uma opinião sobre o blogue, outros disseram-me o que achavam do mesmo. Nenhum foi capaz de me dar a sua opinião sobre o que achava deste blogue. Frouxos.
Dani Andrada, escalador de profissão, diz-nos, enquanto encadeia dois 8c’s ao mesmo tempo com apenas um braço, que leu o blogue e gostou muito. Já Bernabé Fernandez, pastor de cabras na Andaluzia, foi mais longe e ofereceu o seu contributo, uma vez que se considera o frouxo-mor: “joder, sólo encadeno una ruta en cada cinco años!” Chris Sharma, tocador de flauta, também leu o blogue e achou-o “fantástico” e “ainda mais duro que fazer o ‘witness the fitness’ depois de encadear a ‘realization’ ”. Talvez não seja disparatado presumir que tal acontece porque, segundo o próprio, “não percebo uma palavra de português a não ser ‘gracias’ ”.
De qualquer maneira, uma vez que o referido bloco está cotado de 8c+ e a via leva a cotação de 9a+ (ora oito mais nove são vinte, não, que disparate, são dezanove) parece-me legítimo cotar este blogue como um 19d+. E não se fala mais nisso.