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quarta-feira, 30 de julho de 2008

um frouxo todo lá dentro!




Quem será o escalador? aaah, mistério... dê-nos a sua opinião. Da foto acima o que é que se conclui?



a) o que não se conclui é porque é que o escalador está a pôr magnésio. será para a barriga não escorregar?

b) não sei, mas dá para perceber que o escalador esteve muito tempo com este projecto entalado...

c) não faço ideia. a foto ao escalador até está boa mas parece-me que este não é o seu lado mais favorável.

d) se é assim que o come, como é que o caga?

e) conclui-se que é possível escalar uma rocha pelo lado de drente. mais concretamente pelo inside.

f) conclui-se que o escalador está um bocado frouxo. parece-me que a rocha preferia algo mais bem passado.

g) acho que falta uma bolinha ao canto da foto. o amor é lindo... mesmo entre um ser humano e um mineral

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

A FROUXIDÃO DAS “GORDAS” NA IMPRENSA

Os extractos noticiosos que se seguem da exclusiva responsabilidade das agências noticiosas intervenientes e não reflectem necessariamente os pontos de vista do escalagem.borgaSpot.



O país e o mundo.

em recortes de imprensa


Pub
Está a trabalhar o projecto dos seus sonhos?
Atinja o encadeamento desde já, em suaves prestações.
Escolha a amplitude da queda com que quer pagar:
2, 4, 6, 8, ou 10 cm !
Viva livre.
Viva com a máxima exposição e o mínimo dos riscos!
Frouxidis. O desCrédito imedidato.




Ciência


Antropólogos revelam o novo estádio evolutivo da espécie humana.: O Homo Chapiens
Cientistas de várias nacionalidades, inspirados pelas recentes descobertas possibilitadas pela descoberta da “Menina do Lapedo”, em Leiria, identificaram as novas derivações da espécie humana chegando à conclusão que a próxima era, corresponderá ao Homo Chapiens Rochensiis.
Os contornos e aspectos mais notórios desta evolução ainda não estão completamente determinados mas apontam para alterações morfológicas ao nível das extremidades dactilares, onde se verifica maior adaptabilidade aos diversos gatilhos das Tornas Eléctricas, assim como maior longitude das falanges permitindo maior facilidade de acesso aos comutadores de torque e rotação das referidas ferramentas.

Pelo contrário, o rádio e cúbito hipertrofiarão até uma extensão quase mínima e ungulada, visto a adaptação genética actual já não requerer tanto desenvolvimento muscular desse parte dos membros, nem ser requisito relevante visto o encurtamento de distâncias entre extensores de escalada (expressos) para agarrar.
Ao nível da restante estrutura óssea confirma-se o adensamento do tecido ósseo para suporte e compensação dos novos e mais exigentes factores de queda.
Também ao nível craneo-encefálico, o Homo Chapiens virá dotado de novas transformações, antecipando-se a mineralização das cartilagens do pavilhão auditivo, metamorfizadas em plaquetes compatíveis com os sistemas de enganche comerciais comuns (mosquetões). Aguardam-se neste momento desenvolvimentos dos testes de laboratório que permitam identificar mais características.
(Agência Roy-tas)



Literatura


As Profecias de Nóstragamus – 500 Anos.

No quadro das celebrações sobre o nascimento de Michel de Nóstragamus e dado o renovado interesse que as suas Centúrias têm mantido ao longo dos tempos, várias entidades de renome juntar-se-ão num ciclo de conferências onde se pretende levar a cabo a análise das profecias deste apotecário renascentista.
Recordando algumas das suas mais controversas profecias, contam-se a previsão da redefinição da Escalada em Rocha. Como se sabe Nóstragamus era um obcecado por organização matemática, e prevê um futuro de colocação de protecções fixas à equidistância do número simbólico de 222 milímetros possibilitando dessa forma a opcionalidade de proteger quando e como o escalador queira.
Outra profecia aponta para que os povos serão unânimes em considerar o aumento da quantidade de presas, melhoramento das texturas e demais condições ergonómicas como o futuro da humanidade.
Da mesma forma, contrapõe que poderosos lobbys internacionais, que, no advento da aparição em cena do Anti-Chapas, reagirão contra a inovação equipando vias com uma chapa por Continente, em nome da pureza da modalidade. Serão distribuídos pregadores desocupados a difundir mensagens repetitivas e Castristas de discursos proteccionistas.
As premonições apontam ainda para que, no final, os critérios da segurança e os critérios conservadores encontrarão um equilíbrio extensível a toda internacionalidade.
Os interpretes falam, a este respeito, num suposto equipamento de vias em que os furos para os pernos, seriam feitos a partir desta extremidade ibérica, em varão roscado inox A6, de métrica de 15 e longitude alargada, cabendo aos cidadãos Neo-Zelandeses, no seu território, a conclusão da empreitada com a aposição da correspondente anilha e porca na extremidade do varão emergente nesse hemisfério.
(Agência Roy-tas)




Politica


Revisão da Lei da Gravidade em análise
A bancada dos Iniciados na Escalada apresentou ontem ao fim da tarde, no Parlamento, a proposta final de revisão daquela que é conhecida como a Lei da Gravidade, alegando que desde a revolução do Big Bang resultante dos recontros históricos entre Magnetistas Cósmicos e os Movimentos Anti-Matéria que a dita Lei não é revista. Acrescentam ainda que o regime de excepções, agora vigente, demanda recursos não acessíveis a todos os cidadãos nem estão compatibilizados com a prática da modalidade desportiva de escalada em rocha, como o provam os recentes incidentes com cintos anti-gravitacionais contrafeitos. Estes artigos encontram-se a ser comercializados sem a devida regulação, escudados no argumento da maior abrangência e segurança a todos os cidadãos que até agora se encontravam impossibilitados de chegar aos estratos cimeiros da escala de dificuldade da Escalada em Rocha.
Agência XXNTLA


Sociedade


Crescem de tom as acusações de discriminação na Escalada em Rocha
Os vários causídicos que se têm apresentado perante as autoridades judiciais nos tempos mais recentes, encontram-se em fase de mobilização de cívica contra aquilo que apelidam de assincronias e assimetrias de tratamento sofridas pelos cidadãos seus representados.
Foram apresentadas várias queixas também, no Parlamento Europeu, em que acusam o executivo do Chapistão de incumprimento das directivas de segurança em vigor nos restantes países da União, e também, pelo incumprimento dos compromissos eleitoriais onde foi repetida e reiterada a intenção do Governo de retroequipar as vias de escalada e acondicionar todos os locais de desporto na Natureza em moldes que permitam a todos os cidadão nomeadamente os mais condicionados de poderem usufruir integralmente das actividades e espaços “até às últimas consequências”, segundo palavras exactas do chefe de Governo. É sabido que nos restantes países se tem vindo a evoluir muito graças à interposição de mais plaquetes em cada via, sob o lema da campanha “Chapado com 100, chapado com 1000!…”
A natureza das queixas abrange os cidadão invisuais, que se sentem discriminados por lhe ser vedada a legítima ambição de escalar “à vista”, assim como os deficientes auditivos profundos reclamam melhores soluções para o seu problema visto que lhe é praticamente impossível subir uma via em “flash” por não conseguirem que ninguém lhes “cante os passos”.
Há ainda o colectivo de consumidores de substâncias tóxicas que se vêem impossibilitados de encadear “à morte” por a actual legislação não reconhecer em simultâneo que um mesmo indivíduo possa prosseguir a sua escalada de consumo de drogas duras com a escalada em rocha de alto rendimento.
A Secretaria de Estado para os Assuntos da Escalada Desportiva já reagiu às acusações e garantiu que até ao final da actual legislatura os programas de reequipamento e apetrechamento estarão concluídos assim sejam assegurados os financiamentos dos parceiros e patrocinadores.
Acresce ainda que este programa não se limita à escalada em Rocha e que se encontra a trabalhar com os restantes Ministérios das diversas tutelas de actividades da Natureza encontrando-se em curso obras de avultados montantes para a regularização das ondas do mar ao nível que permita os surfistas iniciados uma integração mais progressiva, e que o Ministério do Alpinismo se encontra plenamente empenhado na gestão rigorosa dos fundos do PEIDDAC que permitirão o terrapleno de algumas montanhas até à quota que permita o máximo de cidadãos de aceder em segurança e conforto.
Simultaneamente, Esta Secretaria de Estado anunciou que o Ministro da Escalada em Rocha já assinou o Despacho de implantação da tão badalada rede de elevadores hidráulicos que virão a dotar a base de cada sector de escalada licenciado.
Exclusivo Escalagem


Terrorismo


Múltiplos atentados suicidas com Armamento de Escalada Livre.

Agentes dos grupos extremistas da Frente Popular de Libertação da Escalada do Frouxistão (FPLEF) subiram ontem, várias vias não licenciadas nem certificadas pela OCDE (Organização Contra a Escalada Desportiva).
O atentado ocorreu ontem, ao final da manhã, em plena hora de ponta e completamente à vista de um dos acesso mais congestionados da Escola Certifidada de Escalada Desportiva de Mijanaescada.
Os terroristas usaram várias técnicas não convencionais e de elevado risco para os transeuntes. Os agentes organizados em cordadas subiram as referidas vias proibidas já há vários anos, devido aos seu carácter vetusto e mantidas somente pelo valor histórico e museológico. Uma dessas vias equipada (!) com plaquetes a uma distância mínima de 1 metro e que nos tramos cimeiros chega a registar run-outs de 3 metros (considerados ilegais à luz das actuais normativas que mencionam como limite uma distância que não pode superar em dobro o comprimento duma expresso longa comum, entre 30 a 60cm) os criminosos saltaram os seis corrimões de protecção e durante a escalada arriscaram quedas potenciais que alcançariam facilmente os oito metros, em pronunciado extra-prumo.
Desta ascensão milagrosamente não houve vítimas a registar tão somente apenas alguns registos de desmaio e quebras de tensão em alguns espectadores surpreendidos que não ganharam para o susto. De maior gravidade embora com a mesma graça milagreira, sem vítimas graves, foi a outra cordada terrorista, que se entregou nem mais nem menos a subir uma fissura completamente desprovida de equipamento fixo, com recurso a armamento completamente proibido que consistia de valentes túbaros com vários carregadores de stoppers e camalots (armas de fabrico ilegal que suplantam em perigosidade, as minas em Angola).
o Governo do Frouxistão já disponibilizou a ajuda dos técnicos para apoio psicológico às vítimas que se encontravam nas densas filas para acesso às vias de iniciação, e que se viram forçadas a assistir indefesas a verdadeiros momentos de horror de escalada livre, “em propósitos completamente primitivos” segundo algum dos presentes.

De facto tudo aponta para uma estratégia assente no aproveitamento da circunstancia da inauguração das antigas vias, agora reabilitadas, com novas presas e apoios de vário tipo e vária ordem. Esta reabilitação foi feita sob os auspícios filantrópicos de proporcionar a todos o máximo conforto e o mínimo de esforço para uma escalada, em boa higiene, visto que se torna virtualmente impossível suar nestas vias.
A gestão e exploração do espaço está entregue a uma empresa concessionada, visto que os filantropos não reuniam meios para rentabilizar e manter o espaço.
De recordar que recentemente houve outra tentativas de escalada livre de que resultaram as mortes dos suicidas devido a quedas antes de alcançar protecções distantes.
Agência XXNTLA



Desporto


Chapistão recebe mundial de Juniores de Chapagem Desportiva.
A quantos, ainda há poucos anos, não acreditavam que esta modalidade vingaria, apresenta-se a nova realidade: A Chapagem Desportiva.
Longe estavam os hoje idosos, de imaginar estas magníficas passadeiras rolantes, posicionadas na vertical, em frente ao atleta prontamente disposto e sentado à sua frente. Ao toque do alarme o tapete forrado de plaquetes de palmo a palmo, vai rolando em velocidade crescente. E as plaquetes sucedem-se. E os atletas têm nem mais nem menos de colocar expressos correctamente e com apurada mestria, nas plaquetes, e seguidamente, a corda.
Não se podem levantar da cadeira e não podem saltar protecções sob pena de desclassificação.
Nada se compara à emoção e entusiasmo com que milhares de jovens assistem aos Campeonatos de Chapagem Desportiva, ambicionando quiçá, as posições de destaque alcançadas pelo nosso campeões José Chapo-eu, Isabel Boachapa, Leopoldo Chaparia, Marisa Chapei-a, entre tantos outros. As portas do Plaquetódromo do Estoril abrirão pelas 08h00 aos sócios e os demais visitantes poderão entrar pelas 09h00.

A organização sugere que autosegurem bem as viaturas no exterior do recinto e recomenda que não deixem a alma da corda à vista.
Agência XXNTLA



Educação


Pais e encarregados de educação descontentes com aulas de talhado e sikado
A confederação Nacional de Pais do Chapistão está descontente com o estado de “desgoverno e incúria” dedicado pela Ministra na elaboração dos planos de estudos dos alunos do Ensino Básico de Escalada por todo o país.
Os pais são subscritos pelos professores, acossados pelas questões de indisciplina por parte dos alunos provenientes de ambientes degradados que subem com frequência às árvores sem qualquer equipamento, sobem aos telhados da escola sem qualquer protecção em busca de bolas e artigos que “acidentalmente” lá vão parar, etc.
A lista segue extensa pelo que os pais resolveram sintetizar nos seguintes pontos as suas queixas:
- Os alunos não saem todos do sistema de ensino com suficiente formação para a qualquer momento empunharem um berbequim e ganhar a vida;
- Há violência nas escolas que se traduz na extorsão de plaquetes e pernos ao alunos mais novos e indefesos, plaquetes essas que depois nunca retornam a ser contabilizadas no sistema contributivo de equipamentos de escalada
- Acima de tudo os pais estão preocupados com a “perfeita descoordenação” com que as aulas de talhados e sikados estão a ser ministradas, do que resulta que um aluno médio não é capaz ao fim de 4 fins-de-semana de aulas, de transformar uma pinça de mão aberta num simples tridedo-aprofundado.
Como é conhecido da economia do estado, o equipamento e retro-equipamento de vias com distanciamentos seguros é mercado com os dias contados e que já não absorve mão-de-obra ao ritmo desejável.

Em contrapartida, é reconhecido publicamente, pela própria Ministra, o aproximar duma nova era que sucede à era das plaquetes. A par do que já há anos se pratica noutros países, abre-se agora todo um novo mercado de oportunidade de emprego nos talhados e sikados, que todos apontam como o futuro para as vias hoje sebadas e polidas até ao tutano, acrescentando mais-valia de conforto e segurança a todo o sistema securitário da securitarização securitativa.
E é por esta lacuna ser tão vital que os pais e professores se impacientam e exigem à ministra o aumento da carga horária destas matérias e a subvenção imediata das marretas e ponteiros do tão anunciado “choque enológico”.
Agência xxntla



Meteorologia

O mau tempo vai continuar.
Céu muito nublado para todo o continente e ilhas, com excepção da Terceira, nos Açores, onde o sol irá brilhar, desde que residentes e visitantes se encontrem armados de um clipstick com, pelo menos, 20 cm de longitude. A Protecção Civil adverte contra os perigos de sair de casa e os Hospitais já reforçaram o stock de ligaduras, gesso e radiografias. Os Tribunais dizem estar preparados para a enxurrada de processos-crime contra equipadores que não assegurem o devido escoamento das zonas de escalada para fazer face à inundação resultante da forte precipitação que se fará sentir e que se espera que atinja os 30 escaladores por metro quadrado durante o fim-de-semana.
Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica



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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

o melhor amigo do frouxo

Convém deixar estes amiguinhos a fazer o seu trabalho na base da via enquanto a malta está pendurada.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

pornografia para frouxos

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

É a cultura, frouxo! – parte II

Com a proliferação do youtube, o escalador não vê mais nada que não seja filmes de escalada. Como se antes de escalar visse outros filmes que não fossem porno. Passamos, portanto, de filmes de gajas nuas para filmes de gajos nus. Com cordas.
De modos que me vejo obrigado a educar o povão escalador, fazendo um pequeno apanhado das últimas estreias cinematográficas que vos têm passado ao lado:

Star Wars

História de um bacano chamado Luke Parady Skywalker. Jovem com potencial, é apadrinhado pelo mestre Obi-Graham Kenobi, que vê nele a nova esperança da escalada e a única hipótese de sacar um projecto bem duro. Luke vai encadeando tudo o que lhe aparece à frente, com e sem sabre de luz. No entanto, a tentação do lado negro da força é grande… à medida que a dificuldade vai aumentando, o nosso herói terá de resistir a talhar umas presas nas secções mais duras de rocha. É aí que o malévolo Imperador, acompanhado do seu lacaio Darth Vader (um gajo que, apesar de só escalar em blocos - com talhados - anda sempre de capacete), constrói uma arma terrível, a furadeira da morte, com a qual pretende talhar bidedos (acompanhados da respectiva tickmark) capazes de transformar qualquer 9c num quarto grau. Conseguirá o lado bom da força prevalecer?

Indiana Jones e a grande cruzada

Como Indiana Jones, um escalador frouxo, se embrenha na demanda pelo santo graau. Esta demanda tem lugar na Alemanha, mais propriamente em Frankenjura: Seguindo o mapa desenhado no velho diário de seu pai, Indiana terá de decifrar o croqui e encontrar o local onde se encontra o santo graau, um oitavo super oferta que diz que se faz em meia dúzia de tiros. Tudo isto enquanto tenta escapar aos escaladores alemães, que cobiçam avidamente a first ascent da via. O filme explora também a relação conturbada de Indiana Jones com o seu pai. Juntos irão conhecer-se mutuamente e passar por mil perigos. No final do filme, e depois de encontrar um velho cruzado que lhe ensina o truque para passar o crux, Indiana Jones lá dá um tiro decente no projecto. Mas as peripécias ainda não terminaram: quando o intrépido aventureiro, todo esticado e com a espinha a sair-lhe pelo cú, já ‘tá a tocar a reglete de onde se chapa o top, o gatilho da última expresse abre-se. O nosso herói vê-se confrontado com uma difícil decisão; pode tentar agarrar a presa mas corre o sério risco de amandar um voo daqueles, que normalmente só é amparado pelo chão, 30 metros mais abaixo - os sacanas dos nazis eram forretas nas protecções. A voz sábia do pai de Indiana chama-o à razão, proporcionando um final de filme enternecedor, com a reconciliação entre pai e filho e a percepção que a demanda pelo santo graau está em cada um de nós (o que quer que isto queira dizer). Por outras palavras, Indiana acagaçou-se e destrepou.

Brokeback Mountain

Uma bonita história de amizade entre dois escaladores, que começa quando ambos passam uma temporada a trabalhar num refúgio e a escalar nas montanhas. Quando vem a chuva e as vias molham, ambos regressam ao quotidiano.
Apesar de casarem com as respectivas namoradas e prosseguirem com as suas vidas, ambos continuam a encontrar-se, disfarçando o real propósito dos seus encontros de escalada com a desculpa de que vão pescar. No entanto a mulher de um deles desconfia que a cana de pesca serve, na verdade, para chapar as protecções das vias mais duras. Face a esta suspeita, a teoria de que o marido é maricas ganha forma na mente da desgostosa esposa.
À medida que os anos passam, os compinchas apercebem-se que têm objectivos diferentes na escalada. Enquanto um acalenta o sonho de irem viver juntos para maple canyon, um fabuloso spot de escalada com protecções de metro a metro, o outro tem medo de represálias da comunidade, por estar sempre a escalar em top. E, de facto, o pior acontece, com um dos amigos a ser assassinado às mãos de três escaladores que o viram a encadear uma via com a terceira pré-chapada. O filme termina de forma triste, com a personagem principal lembrando saudosamente as tantas e tão belas trepadas que deram juntos.

O Rei Leão

Denominado King Lines no original, o filme narra o encontro de dois colossos maiores da escalada mundial e, simultaneamente, as nossas vítimas preferidas aqui no blog. Adivinharam: São Chris Sharma e Nuno Pinheiro.
A película (apesar de o ter visto em DVD achei que ficava bem usar este substantivo e, além disso, já me tinha usado “o filme” no parágrafo anterior) foca os problemas de dependência do personagem principal, que o obrigam a viajar por todo o planeta e a escalar as linhas mais difíceis só para arranjar um bocado de erva. Para os mais desatentos, lembro que estou a falar do Sharma. Entre escalada, trips de escalada e trips (sem escalada), as personagens usufruem da rodinha da paz e dançam o hakuna matata (cuja tradução livre "há cu na mata, tá?", ficava melhor no filme anterior, mas não se pode ter tudo).
O Rei Leão caracteriza-se por ter sido filmado ao melhor estilo David Linch, isto é, baralhando e confundindo o espectador, mercê da quantidade e duração dos monólogos do protagonista. Num emocionante final, Chris Sharma, mesmo depois de conviver com Dave Graham e Nuno Pinheiro, é bem sucedido no encadeamento de um duro projecto, sem aparentar qualquer sintoma de asa levantada.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

um ano a afrouxar

Afrouxar o quê?, perguntam os leitores. Ora, a corda quando escalamos à frente, respondemos nós. Nááá, tamos a gozar, a corda vai sempre tensa que nem uma harpa. E sim, connosco não há cá merdas, à segunda vamos logo à frente... quer dizer, até íamos, se fôssemos às vias uma segunda vez. Mas há tanto terceiro e quarto grau para experimentar, e nós retiramos tanto prazer de escalar à vista...
Foi, sem dúvida, um ano de frouxidão, que hoje lamentam... aham, comemoramos. Muita escalada, muita posta de pescada, muito visionamento de videos do Chris Sharma (mais até que o recomendável) e, sobretudo, muito pi. A todos os que insistem em vir cá, estão de parabéns. A demência dos nossos leitores é a nossa satisfação. Se, por acaso, abusámos um bocadinho e criámos algum atrito com alguém, as nossas mais sinceras desculpas. Para a próxima, seremos mais contundentes. Até sermos espancados, não iremos desistir.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

o aumento de frouxidão e a inflação do prestígio das vias: um estudo comparativo

If the routes stayed the same, but the gradings were suddenly all switched around, it would be interesting to see which routes people would be trying.

Jim Holloway

Cá está. Não é só o LA que sabe fazer citações. Eu também sei. E esta é muito boa. Por acaso gamei esta dele. As citações demonstram que um gajo é inteligente. Que tem cultura geral. Para quem não sabe, a cultura geral mede-se pela quantidade de citações que um tipo diz por dia.
O problema é que, normalmente, quando se usa uma citação, é suposto o texto não ter nada a ver com a dita. O propósito da mesma é o de ganhar uma discussão, ou seja, arrumar com o outro gajo, qu’ele até fica a pensar “ena pá, com essa é que me lixaste”. E se a citação nada tiver a ver com o assunto em causa, melhor ainda, que é da maneira que o deixamos ainda mais confuso. Por exemplo, esta foi gamada de um texto sobre aves. Já na altura não percebi o que tinha a ver. Se calhar as aves só vão a uma via por causa do grau. Será que as aves mais fortes só nidificam em oitavos?

Acontece que a citação em causa até tem a ver com este post, mais concretamente com o prestígio. Às vezes, parece que as vias têm dois graus: um de dificuldade e outro de prestígio. Curiosamente, o de prestígio é sempre igual ou superior ao de dificuldade. Nunca é inferior. A não ser que a via seja de placa. Não há nada mais baixo que o grau de prestígio de uma placa. Melhor dizendo, não existe nada que arruíne mais a reputação de um indivíduo que fazer uma via de placa. Quer encadeie um 8a de placa, quer caia num 6a de placa. Que, no fundo, acaba por ser o mesmo.

O grau de prestígio é tão importante que chega a afectar a própria qualidade da via. Se esta for um 7a, assim pró fácil, a via é um espectáculo, fácil de sacar, só presa grande. Se alguém decide gritar “o rei vai nú” e decota a via, esta passa de imediato para um 6c+ merdoso, passo mitrado sem jeito nenhum. Por isso é que as vias lá fora são boas. O grau de prestígio é enorme e o encadeamento à vista chove como cães e gatos. Tudo a experimentar aquela via dura mas boa, só porque no croqui vem um número porreiro:

- Ouve lá, é mesmo 7a?
- Sim, é 7a, presa grande, pouco inclinada, fácil de sacar à vista, é boa para ti.
- Mas é 7a?
- Sim, é.
- Mais duro que um 6c+?
- Eh pá, isso já não sei, se calhar não. Fiz à segunda. E nunca fiz sequer 6c+ à segunda. Aliás, acho que nunca fiz 6c+... Mas diz neste croqui com pelo menos 20 anos que é 7a, e o croqui não falha.
- Ah, bom, então vou lá!!

Ora eu acho que devia ser justamente o contrário. Tipo,

- Lá vai o fulano de tal, aquele gajo que fez agora um oitavo.
- A sério? Não dava nada por ele. Alguém o viu a fazer o oitavo?
- Vi-o eu a sacar aquele 6b manhoso à vista.
- Fosga-se, é mesmo forte!! Respect!!

Acrescento que acho até extraordinário como a malta se orienta tão bem a chamar as vias pelo grau (normalmente o de prestígio, claro). O nome, obviamente, é um mero acessório. Inclusivamente, até parece que houve aí uma polémica com um gajo que partiu umas pedras coladas na base das vias, com o nome das mesmas. Devo dizer que sou contra as pedras com nome na base das vias. Para quê o nome? Assim as pedras não dispensam o croqui! Quem lê o nome da via na sua base fica sem saber o mais importante, que é, obviamente, o grau. Por isso, acho que se deveria pôr apenas o grau na base das vias. Ocupa muito menos espaço, logo o impacto visual é menor. Para que interessa o nome? Se se falar no nome de uma via, ninguém sabe onde fica. Já pelo grau, toda a gente vai lá. E se for a puxar para cima, então é uma verdade absoluta e intocável. Mesmo que se faça a via com pegue e meio, apesar de nunca se ter feito aquele grau na vida. Mas se a via só sair ao vigésimo, a coisa pia mais fino, “qu’eu já fiz este grau à vista”. Não pode ser. Esqueçamo-nos que isto é uma rocha nova, um estilo novo, uma técnica nova, uma via nova (i.e. sem pinta de magnésio) e subamos o grau, “qu’eu não tou aqui para me rebentar em 6b’s”. Ou então, cagamos d’alto na via e vamos para aquele 7a vertical com presa à mão cheia de meio em meio metro.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Nós não somos frouxos, apenas usamos pó de talco!!

Vi, há dias, uma reportagem da sic mulher. Antes que comecem com merd… com coisas, há que dizer que era sobre escalada. E não é que estivesse a ver a sic mulher nem nada disso, só vi porque estava neste blog. Já sei o que estão a pensar: “O que faz um gajo como o frouxo a ver um blog sobre escalada?” Não vamos por aí, todos têm os seus momentos de fraqueza. Adiante. A peça até está bem elaborada (sempre é mais interessante que a Oprah) e mostra um certo empenho em divulgar a modalidade na sua vertente mais positiva, mas vocês não vêm a este blog aqui para nos ver a tecer comentários elogiosos ao que quer que seja. Vocês gostam é de sangue. E como nós também só estamos bem a achincalhar, vamos a isso.

Vejamos então a primeira frase: “O magnésio não é pó de talco” O interveniente percebe de pó de talco. Ninguém lhe dá lições sobre pó de talco. Rocha não é rabinho de bebé. Rocha, magnésio. Rabinho de bebé, pó de talco. Estamos entendidos.
Passemos agora à segunda frase: “É um pó que serve para secar a humidade das mãos e, dessa forma, reduzir o atrito”. Hummm.... reduzir o... atrito? Mmmmm... Pois... Confesso que aqui me surgem algumas dúvidas acerca dos conhecimentos do escalador. Uma hipótese é a de que, apesar de perceber de pó de talco, não percebe nada de mecânica clássica. Porque se há coisa que sirva para reduzir o atrito, essa coisa é mesmo pó de talco. A segunda hipótese é a de que não percebe grande coisa de escalada. É que da última vez que experimentei escalar, disseram-me que um dos truques da cena é usar a força do atrito (assim de repente lembro-me da borracha dos pés-de-gato) para vencer a força da gravidade. Queria, no entanto, deixar claro que esta segunda hipótese é absolutamente fantasiosa. Até porque aqui os únicos que não percebem de escalada e têm, consequentemente, o direito de proferir barbaridades desse quilate, somos nós. Ficámos ofendidos e tudo.
Talvez seja muito mais simpático admitir uma terceira hipótese... a de que, se calhar, não percebe muito acerca do significado do verbo "reduzir". Sim, esta hipótese não faz muito sentido. Mas escalar em atrito também não. Sobretudo se forem vias de aplats.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

A frouxidão do plágio

Para todos aqueles que tiveram o bom senso de não vir ao nosso blog nos últimos dias, passo a explicar: O escalagem sofreu um insidioso plágio por parte de um personagem que, numa tentativa disparatada de ter graça, nos surripiou os textos e os colocou, mal e porcamente, no contexto de um bar. Por muito que nos honre ver a nossa humilde espelunca elevada à categoria de tasca de terceira, repleta de marinheiros de faca afiada, mulheres de má vida, cerveja fria e sangue quente, é de convir que algumas… aham, “adaptações”, vamos chamar-lhes assim, dos textos não eram propriamente brilhantes. Se a base de “inspiração”, vamos também chamar-lhe assim, já era um pouco confusa (resultado das mentes tortuosas e altamente baralhadas dos seus autores) imaginem ler posts do escalagem em que a palavra “escalada” é substituída por “cerveja”. Não faz sentido… embora acredito que haja alguns leitores para quem a coisa soe às mil maravilhas.

Bom, o que interessa é que poderíamos berrar aos quatro ventos “aqui d’el rei”, poderíamos insurgir-nos contra a corja aviltante que nos rouba as ideias e as palavras, poderíamos denunciá-lo, arrastar o nome dele pela lama e expô-lo ao ridículo, poderíamos até empreender uma cruzada até ao norte do país, mais concretamente a Viana do Castelo, munidos de um camalot #5, até descobrir o PC por trás do qual se encolhe a criatura de fraca inspiração e ainda menor discernimento, cujo nome, já agora, só naquela e sem qualquer espécie de ressabiamento, é Diogo Moreno. Mas nós somos pessoas elevadas. Somos melhores que isso. Esperem, perceberam mal, também não vamos usar um camalot #6. Somos melhores noutro sentido. Em vez disso, lamentamos o infortúnio do desgraçado que, qual meliante que arranca cobardemente a sacola de uma criança para vir a descobrir que o produto do seu furto não é mais que um rascunho de apontamentos, umas meias sujas da educação física e um ovo podre que sobrou de um almoço algures do ano passado, teve o azar de não encontrar um blog melhor que o nosso para plagiar. É fácil de imaginar que o resultado não podia ser mais desastroso. Tenhamos, por isso, compaixão. A triste sina do nosso desafortunado gatuno terá sido o facto de se cobrir de ridículo de cada vez que publicava no seu blog um dos nossos textos. Haverá pior sorte?

No meio disto tudo, só é pena que, assim que o plágio foi descoberto, o respectivo blog tenha sido exterminado pelas mãos do seu autor. Lá se foi a única prova que alguém nos lia. Enfim, resta-nos o peito inchado de orgulho. Ser plagiado não é para todos. Sobretudo quando não se é lido pela Clara Pinto Correia.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Parabéns, Nuno Pinheiro!

Mais vale tarde que nunca. À semelhança do blog da bolinha, também nós não quisemos deixar de prestar homenagem a uma figura que sempre foi, é e continuará a ser motivo de inspiração para os escaladores portugueses.



Fica também a explicação do post anterior para todos aqueles que são demasiado fortes (ou estavam demasiado pedrados) para o perceber. Como se diz, uma palavra vale mais que mil imagens... ou a imagem é que vale mais que mil palavras... bom, uma cena assim.

Para todos os que repararam que não utilizámos a palavra frouxo e derivados no título deste post, sugiro que leiam o título com mais atenção e que, em seguida, vão a um dicionário de sinónimos consultar o significado da palavra "frouxo". Dou uma pista: Um dos sinónimos não é "Parabéns".

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

diário de um frouxo

Querido bló:

Têm sido dias muito ocupados, estes. A escalagem rouba-me tempo para as coisas realmente importantes na vida, como escrever neste estaminé. Mas sinto que está a valer a pena. O projecto está cada vez mais perto. Ontem dei-lhe o pegue nº 425 - o terceiro à frente. É óptimo ver que já começo a ir à frente com regularidade.
Mas as boas notícias não terminam aqui. Sinto que estou cada vez mais consolidado na via. Há vinte pegues que a coisa não me corria tão bem. E, confesso, já estava a desanimar. Mas ontem voltei a cair novamente no passo da reglete. Ou seja, semana sim semana não, chego à reglete. Antes era de mês a mês! Há aqui, sem dúvida, uma evolução. Não há-de faltar muito para que comece a pensar em lançar para o bidedo. Depois disso, quem sabe? Tudo é possível. Até chegar ao passo duro a encadear!
Mas por enquanto importa manter os pés bem assentes na terra. E concentrar-me no que tenho para optimizar. Estou quase a fazer a secção de continuidade de seguida! Há um passo do meio que já não me custa tanto. Foi só mudar o pé para a parte direita da prateleira, e pumba! já sai em estático. Quem sabe não foi esse bocadinho de energia que poupei que me fez agarrar a reglete, colocar o pé na presa e, imediatamente antes de cair, olhar para o bidedo com determinação! É altamente motivante perceber que estou a evoluir na via. Mal posso esperar para lá ir de novo!

Bem medidas as coisas, estou convencido que o 6a sai mesmo este ano. É tão bom começar 2007 com optimismo…

domingo, 24 de dezembro de 2006

a frouxidão da irmandade da topalhada

Foi com enorme contentamento que frequentei mais uma vez o workshop de escalada que, todos os anos por esta altura, tem lugar em Poios. O meu entusiasmo é natural; o corpo docente é composto por escaladores experimentados, que dominam na perfeição a técnica das duas argolas. Como é lógico, todo aquele que procura aperfeiçoar-se cada vez mais nesta modalidade, que busca incessantemente novos desafios e tenta forçar continuamente os seus limites pessoais, ou seja, aquele que busca ir sempre mais além, que sonha subir o que muitos auguram como impossível, inacessível, esse exemplo de força pura, de técnica moldada pelos anos e pelos quilómetros de via, de fanatismo à prova de bala… enfim, qualquer escalador digno desse nome, não vê utilidade nenhuma neste tipo de encontros. Mais do que isso, até tem vergonha de ser visto nestes ambientes. Mas eu não podia faltar a tão excelsa oportunidade de beber dos ensinamentos dos mestres na arte da topalhada.
No entanto, a fraca adesão ao jantar não passou despercebida. Só cem pessoas? Uma mera centena? Será que não conseguimos juntar mais de cem frouxos? É tudo isto que a escalada em Portugal tem para nos dar? Onde estavam todos aqueles que voam de presa em presa nos rocódromos? Porque motivo não compareceram ao workshop as centenas de escaladores, quiçá dezenas, que, magnésio líquido na mão e five-ten de cem euros no pé, são vistos, fim-de-semana após fim-de-semana, a subir avidamente os quintos degraus da guia depois de terem ido pastar às ervas para pôr a corda em top? Será que estavam ocupados a encadear oitavos, nonos e décimos numa qualquer falésia perdida em Portugal? Bom, se calhar não.
A verdade é que todos estes escaladores perderam um evento ímpar. Esta é a altura em que podemos dar largas à nossa frouxidão sem termos de dar satisfações a ninguém. Querem melhor oportunidade para justificar a falta de força sempre que se agarra uma presa mais pequena que um caixote, ou as tonturas que aparecem quando a nossa cintura fica a uma altitude superior à da expresso, com o etanol consumido na noite anterior? Mesmo que não se tenha bebido, todos sabemos como estes jantares são de digestão pesada...
Com efeito, o programa do evento foi delineado cuidadosamente de modo a nada ser deixado ao acaso. Após a lição teórica de sábado, a organização brindou os participantes com um convívio preparatório que se iria revelar completamente adequado às aulas práticas que tiveram lugar no domingo. Todos os escaladores que frequentaram a preparação da noite anterior mostraram resultados excelentes e provaram que absorveram em pleno a matéria leccionada. Não raras vezes, o vale de poios deparava-se com um espectáculo de meia dúzia de escaladores pendurados nas cordas, lado a lado, quais presuntos em fumeiro. A expressão “bloca!” foi a palavra de ordem e muitos foram os corajosos que arriscaram um “deixa nas duas, vou lá em top”. Resumindo, ninguém quis perder a oportunidade de testar o poder das duas argolas.
Para os outros, esperamos que apareçam da próxima vez. Treinar no muro não chega para aumentar a frouxidão. E este tipo de eventos só acontece uma vez por ano!

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

mais vale um frouxo com a expresso na mão que um chorão a voar

Só para avisar os assíduos desta espelunca que a partir de hoje haverá outro escriba neste blog. Pensei em convidar o Chris Sharma para o efeito mas ele anda ocupado com as aulas da segunda classe. Além disso, esse gajo é forte e destemido, e do que este blog estava a precisar era um gajo com "uma percepção equilibrada e sensata da realidade". De modos que a partir de hoje teremos connosco o chorão. Assim, o blog continuará homogéneo, já que ambos os dois sabemos como manter o espírito da coisa. É só ir em top.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

a frouxidão do futebol

Ontem à noite o Benfica foi eliminado da Liga dos Campeões. E com esta notícia perdi metade dos leitores deste blog. Não que estejam chateados com a eliminação do Benfica – na verdade até devem estar contentes, porque assim “não temos de apanhar com futebol a toda a hora”. Esquecem-se é que o Benfica vai continuar na UEFA. Ah ah ah! (riso maquiavélico).
A verdade é que o Benfica, apesar de um começo auspicioso, não soube aguentar a esperada pressão do Manchester United – só um terço dos leitores que começou o texto me está a ler neste momento - e, quando a equipa das águias saía para o contra-ataque, tentava municiar os dois atacantes em longos lançamentos – um quinto dos leitores! – que favoreciam a antecipação dos possantes defesas da equipa inglesa. Em suma, o meio-campo povoado e o pressing alto do Manchester cavaram um fosso na equipa portuguesa não permitindo que a transição defesa-ataque fosse feita de forma eficaz.
Agora que cerca de nenhum dos escaladores que começou a ler este texto me está a acompanhar neste momento, posso debruçar-me sobre a importante questão: Qual a razão do ódio que os escaladores nutrem pelo futebol? Para mim existem vários motivos.

O jogo em si:

- Não é um desporto. Desporto envolve natureza e ar livre e mainãoseiquê. Ou seja, tudo aquilo que um escalador disfruta enquanto forra os pulmões a magnésio num muro pouco maior que o WC do centro comercial Martim Moniz.
- É uma estupidez. 22 gajos a correr atrás de uma bola. Onde é que já se viu. Dar cinco tralhos de seguida enquanto se tenta subir por uma rocha, quando se podia chegar lá acima pelo caminho à volta, parece-me uma alternativa bastante mais inteligente.
- É pra meninos. Homem que se preze já esteve com os pés dois metros acima da última protecção – ainda que tenha cagado a cueca no acto.

A bola:

- É redonda. C'um camandro. E teima em fugir das pernas desengonçadas dos escaladores que, por mais lolotes que façam na rocha, são incapazes de a dominar num campo. Escalador que se preze tem a coordenação motora de um hipopótamo.
- É pesada. Um verdadeiro teste às pernas tira-linhas do escalador que, não fosse a falta de coordenação motora do outro escalador que “defende” a baliza, seria incapaz de marcar um golo de fora da pequena área.
- Rebola. O escalador mais fanático acredita que o movimento de uma bola não obedece às leis da física - a não ser que estejamos a falar da teoria do caos.

Os jogadores:

- São gajos iletrados, que não dão uma para a caixa quando falam para as câmaras. Ao contrário, por exemplo, dos surfistas.
- São ricos e auferem salários criminosos. Ao contrário do Roger Federer, do Tiger Woods, do Michael Schumacher e de qualquer suplente da NBA ou da liga profissional de futebol/baseball americano.
- Têm um sentido fashion invejável que, diga-se de passagem, chega cem vezes para arrumar na gaveta as calças de licra de qualquer escalador dos anos 80.
- Têm gajas boas. Que o escalador, do alto dos seus cabelos desgrenhados, ar sujo e mãos rebentadas pelos entalamentos em fissuras, atribui desdenhosamente ao dinheiro. Mas que, para dizer a verdade, inveja com toda a força do seu ser (as gajas boas, não o dinheiro. Pronto, o dinheiro também).

Apesar de tudo, acho que é possível gostar de futebol e de escalada. Em tempos achei que se existisse um ranking combinado de ambas as modalidades eu seria o campeão. Mas depois descotaram os meus dois melhores encadeamentos à vista para quarto superior. Paciência. Resta-me o chinquilho. No chinquilho ninguém me bate.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

o jantar dos frouxos

Uma vez que padeço de uma doença crónica de decotação, cujo sintoma se manifestou quando descotei a via "poios" para IV+, após encadeamento ao quinto ensaio (do dia), considero-me intimado.

Vai ser assim a modos que do c 'ralho.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

a queda de um mito, mas não de um frouxo

"O rabeta foi lá em top". É desta forma injuriosa que nos comentários d'outro estaminé se comenta a ascensão de Alain Robert à Torre Vasco da Gama. Reconheço o ataque. Aguento a injúria. Engulo a falácia (epá, isto não soou nada bem). E, tal como Chris Sharm... aliás, Jesus Cristo, dou a outra face.
Ao que parece, o spiderman francês, como é conhecido pelo público em geral (ou "superman francês" como é conhecido pela redacção do jornal Público em particular, pelos vistos o superman também escala prédios, deve ser quando está impossibilitado de voar porque se esqueceu da capa na lavandaria, vá lá, não lhe chamarem "capitão américa francês" já não foi mau) foi impedido de escalar a torre a solo. Mas nem assim o intrépido escalador hesitou, aceitando o desafio de braços abertos e realizando a ascensão do edifício com a corda por cima.
A notícia rebentou que nem uma bomba na nossa comunidade. Braços ergueram-se para o céu, vozes bradaram "infâmia", gargantas clamaram por vingança. Até já ouvi escaladores a dizer, algumas mulheres incluídas, que não querem mais ter um filho de Alain Robert. Pela minha parte, foi com uma lágrima no canto do olho, mas uma lágrima de esperança, que assisti a este glorificante espectáculo. Porque na verdade, o épiderman francês sabe que a escalada em top é o mais parecido que existe com escalar a solo. Como alguém disse num determinado fórum de escalada, estou mais além, sou um visionário. Aliás, aproveito para anunciar que da próxima vez que for à Guia, vou solar a via verde!!

Não queria terminar sem enviar um abraço de apreço ao jornalista da SIC que a julgar pelas sábias palavras - "vamos assistir à escalagem do alpinista francês" - deve ter lido o meu blog antes de fazer esta reportagem. É bom saber que uma parte da classe jornalística ainda se documenta convenientemente antes de tratar estas matérias.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

a frouxidão dos passitos

Não sei porquê, caio sempre nos passitos. A malta diz-me "ah, a via é uma cagada, só tem um passito ali a meio". E eu vou todo contente, chego à via e faço os passos todos, faço o passo antes, o passo depois, só não faço o passito. Normalmente o passito é uma cena do estilo agarras o monodedo que está no cú de Judas, epá, espera lá, monodedos no cú de Judas não me soa bem, pronto, o monodedo em cascos de rolha, nunca percebi o que são cascos de rolha, será que as rolhas têm cascos, se têm nunca os vi, e depois sobes os pés numas cacas e lanças ao bidedo bom. Claro que os passitos não são sempre assim, às vezes sobes em regletes de menos de uma falange enquanto tens os pés em cacas, para depois lançares ao bidedo bom. Ou ainda, agarras aquela lateral mesmo má e, pés na caca, lanças como se não existisse o amanhã para o bidedo bom. Em qualquer dos casos, acertas acima, abaixo, ao lado, mas nunca chegas a agarrar o bidedo bom. O que é uma pena, porque o bidedo bom é mesmo bom. Aliás, é esse bidedo bom que dá a cotação de dois graus abaixo do que a via realmente custa. Tudo porque o pessoal forte se agarrou ao bidedo bom e viu "eh, pá, isto é mesmo bom. Que cagada!"
As vias de passitos fazem lembrar-me as francesinhas, por causa do diminutivo. Um gajo pede um pastelinho de bacalhau e come-o de uma dentada. Chega a casa de um amigo e oferecem-lhe um bolinho. Ou uma bolachinha. E julga que a francesinha também é coisa para se comer de uma só vez (a descrição pode enganar, mas refiro-me à iguaria, não à cidadã de origem francófona). Um gajo até se arma em lambão e pede duas, a pensar "bom, avio já isto tudo, nem demora dez minutos" ou "ui, que vai saber tão bem". Volto a lembrar que continuo dentro do domínio da gastronomia. Depois quando chegam à mesa é que um gajo percebe que as francesinhas parecem francesonas. Afinal de contas, é coisa para andar de volta daquilo durante horas. No fundo, como nos passitos.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

...

Noutro dia, um amigo aconselhava-me contra a tentação de me empenhar em demasia na escalada, em detrimento de outros prazeres (e deveres) da vida. Dizia-me ele que era importante saber colocar as coisas em perspectiva e não depositar todas as esperanças, energias e motivações unicamente na escalada. Porque se a escalada falha, se a motivação se vai… a verdade é que todos nós sabemos o que é o vício, aquele gostinho especial de tentar fazer a via, a parede, o cume… e aquela ânsia que nos faz esquecer rapidamente o sucesso de ontem e que faz a nossa vida girar em função do objectivo de amanhã.
Por paradoxal que pareça, a conversa acabou por incidir sobre a escalada como objectivo de vida. Apesar de tudo, não será legítimo devotar o nosso esforço a subir calhaus? Se outros trabalham para poderem gastar os fins-de-semana no Colombo, porque raio não poderemos nós trabalhar para a escalada de fim-de-semana? Neste breve período em que estamos animados, em que não somos simples matéria orgânica, haverá alguma razão que nos impeça de desfrutar ao máximo? Quando morrermos, o que levamos connosco? O que é mais legítimo? Passarmos a segunda metade da vida conduzindo um Mercedes SLK ou podermos dizer que subimos ao ponto mais alto de cada parede que encontrámos?
Hoje, quando estava a preparar-me para atravessar a rua, hesitei em apertar o botão de um semáforo. Veio-me à memória a criança que morreu em Lisboa, há alguns anos, depois de carregar no botão para que o semáforo passasse a verde. E lembrei-me de uma frase feita, dita numa conversa que tive há cinco dias com um amigo, sobre a infeliz notícia do dia anterior. O meu amigo, que não conhecia o Bruno Carvalho, disse-me “ao menos, morreu a fazer aquilo que mais gostava”. Na altura, pareceu-me um ponto de vista quase banal, até porque não estava capaz de ter uma leitura tão fria da situação. Mas agora, colocando as coisas em perspectiva, penso sobre qual será a forma mais estúpida de morrer: após realizar o sonho de anos, talvez de uma vida, mesmo que este tenha sido pago com o preço mais alto, ou electrocutado por um semáforo?
Muitos amigos meus que obviamente não escalam comentam a morte do Bruno apelidando o seu sonho como um acto louco, impensado, pura e simplesmente um desafiar da morte. Reduzir esta tragédia à condição da consequência natural de um acto gratuito e irracional é retirar todo e qualquer significado à vida do nosso companheiro. Sei que ele conhecia os riscos mas a sua vontade de sonhar falou mais alto. Porque ele sabia que só seguindo os nossos sonhos poderemos ser felizes. Apesar de conhecer o risco, o Bruno escolheu ser feliz.



Não te esqueceremos.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

a religião dos frouxos

Chuck Norris' dick is so big, it has it's own dick, and that dick is still bigger than yours*

Grande coisa. O El Carallon também tem uma pila própria. E dois testículos. Aliás, se não fosse essa segunda pila não sei como é que a malta fazia o passo. Eu bem vejo o pessoal a esticar-se, mãos nas invertidas, a subir os pés e a agarrar-se ao pequeno pirilau, exprimindo de seguida uma profunda sensação de alívio enquanto procedem ao agarre do carallon propriamente dito. Depois é vê-los a amarinhar por ali acima, visivelmente satisfeitos, abraçando fervorosamente o dito cujo em todo o seu esplendor. E um gajo fica a pensar como é bonita a obra de Deus. Sim, porque estou plenamente convencido que a escalada é obra divina. Já repararam como as presas das Buracas do Cagimil são ergonómicas? Mesmo à medida para serem agarradas. Bem sei que os geólogos hão-de ter uma explicação. Que a sedimentação isto e aquilo, patati patata. Mas eu não acredito nessas coisas. Deus dotou El Carallon de um segundo falo com o propósito claro de permitir a escalada daquela via. Ainda por cima o Senhor demonstra criatividade e sentido de humor, permitindo ainda que cada um de nós expresse a sua verdadeira natureza através da maneira mais ou menos entusiástica como se agarra ao supracitado badalo.
Noutro dia estava a escalar em solo uma via na rampa dos crocodilos - aquela onde penduraram uma corda com nós para ajudar o pessoal mais frouxo a subir. Quando parei para sacudir os braços e olhei para trás, reparei que há lá uma via com uma secção que não tem absolutamente nada para agarrar. Essa secção termina num enorme buraco para onde a malta lança a partir de duas presas, mais de um metro abaixo. Ou seja, Deus Todo-Poderoso criou aquele buraco de encomenda.
É por estes motivos que estou a pensar seriamente em fundar uma corrente religiosa (se disser “seita” parece que estou a querer gamar dinheiro ao pessoal - não que não seja verdade mas o segredo é a alma do negócio) que assenta no princípio de que a escalada é o reflexo da existência de Deus. Vou fundar um santuário bem na base do El Carallon, onde todos possamos contemplar o milagre. Será local de peregrinações cuja entrada (o dízimo) reverterá a meu favor com a desculpa de que é para equipar vias e substituir topes. Mas há mais. Vou convencer o pessoal de que o filho de Deus é Chris Sharma. Vou convidá-lo, a troco de uma mesada em erva, para andar a apregoar a fé entre os escaladores. Com aquelas rastas, o ar meio zen e meio desalojado e de flauta em punho, parece-me que a malta o vai seguir como ao flautista de Hamelin. Ele será o meu fiel apóstolo.

* Gamado daqui

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

é a cultura, frouxo!

Depois do meu último texto o meu e-mail foi inundado por centenas de missivas vindas de todos os cantos do planeta. Claro que a maior parte era a habitual publicidade às pílulas para alargar o nãoseiquê e para melhorar o desempenho no nãoseiquemais. O restante era pornografia não requisitada (e também alguma requisitada). Estranhamente, nenhum dos mails que recebi era relativo ao blog. Talvez seja por não ter publicado o endereço de e-mail no site… é capaz de ser por isso.
De qualquer das maneiras tenho a perfeita noção de que todos os que leram a minha posta anterior fizeram a mesma pergunta: “Mas afinal quem era esse Shakespeare?” Ora para elucidar as vossas mentes, e porque os escaladores não lêem nada que não sejam revistas de escalada (acabei de perder metade dos meus leitores) nem costumam ver filmes que não sejam sobre escalada (pronto, lá se vai a outra metade) resolvi tornar este blog um pouco mais cultural. O que se segue é um pequeno resumo de algumas obras que deixaram a sua marca na literatura ou no cinema.

Romeu e Julieta

Começamos com este clássico de Shakespeare que relata a história de dois grupos rivais que disputavam os encadeamentos mais duros na fenda: Os Capuleto e os Montesco. Sempre que um Capuleto equipava um oitavo, logo um Montesco o encadeava e descotava. E vice-versa. Um romance proibido nasce, no entanto, entre dois descandentes destas famílias rivais. Os amantes Romeu e Julieta, que fazem cordada (entre outras coisas mais ou menos badalhocas) e que juntos evoluem na escalada e no amor.
Um dia, Romeu parte uma presa que acerta em cheio na pinha de Tibaldo, primo de Julieta. Temendo envolverem-se num banho de sangue, os amantes elaboram um plano de fuga, mas tudo lhes corre mal. Julieta combina com Romeu na fenda e, enquanto espera, resolve solar a El Carallon. No entanto, no meio do desespero provocado pelo atraso injustificado do seu amante, esquece-se de levar os five.ten e cai na parte da placa porque o pé não ficou numa aderência. Romeu chega ao pé da sua amada, olha para os Quechua que ela tinha calçados e compreende de imediato o que se passou. Enrola um charro com haxe comprada no Martim Moniz e fuma até lhe saltarem os olhos. Mas vai-se a ver e a Julieta não estava morta, apenas tinha batido com a cabeça. Quando acorda e vê o seu amor, morto, com a beata ainda na ponta dos dedos, resolve matar-se também; ainda tentou fumar o resto do charro mas era só tabaco. Vai daí, pega na navalha que ele usava para cortar a corda e espeta-se com ela no coração. Por azar, a navalha era meia enferrujada e não cortava grande coisa mas a Julieta lá acaba por morrer de tétano.

Titanic

História de um bacano que aposta um bilhete de barco em como saca à vista uma via daquelas bem duras. O facto de o gajo ter lançado sem olhar para a presa escondida levanta grandes suspeitas, mas a verdade é que ele lá ganha a passagem para Kalymnos. Na viagem, conhece uma g’anda lasca (embora com tendência para engordar) que se quer atirar da popa (acho que a popa é a parte de trás do barco). Ele lá a agarra, convence-a que a vida vale a pena ser vivida, aquilo em Kalymnos é só chorreira, uma maravilha, toma lá uns five.ten, com isto ninguém te pára, tens é de fazer dieta que os pés de gato são bons mas não fazem milagres, bora lá cantar o “My Heart Will Go On” da Celine Dion na proa (que, portanto, será a parte da frente). Entretanto, a embarcação nunca há-de chegar a Kalymnos, pois choca com um iceberg que andava perdido mesmo no meio do Mediterrâneo. A gaja safa-se, o gajo quina.

O Padrinho

Filme sobre a família de Vito Corleone, um tipo que tem o monopólio dos rocódromos de Nova Iorque. Temido por uns e amado por outros, é a ele que os escaladores recorrem quando não sabem o que fazer. Para estes, sempre tem uma palavra amiga, umas dicas sobre como resolver o crux de uma via ou uma opinião sensata sobre uma cotação. Até que chega à cidade um turco que pede financiamento ao padrinho numas plaquetes inox para equipar umas placas que tinha micado nos arrabaldes da cidade. O padrinho recusa-se a ajudá-lo pois não quer ver as crianças do seu bairro a escalar em placa. Mas o filho, Sonny Corleone, mostra um certo interesse no negócio, pois tinha acabado de comprar uns five.ten e estava mortinho por curtir a aderência da cena no granito. Erro crasso, pois o turco tenta despachar Vito Corleone na esperança de negociar com o herdeiro directo, Sonny. No entanto, o esquema sai-lhe furado, pois o padrinho sobrevive. O esquema não é a única coisa a sair furada ao pobre turco: A implacável vingança de Michael Corleone, o benjamim da família, envolve um Hilti com uma broca de 10 mm, para granito, pronta a estrear.

Forrest Gump

História de um bacano que, apesar de ter uma inteligência bastante abaixo da média (a história passa-se na América, ainda por cima) consegue realizar o sonho americano: Tem tudo pago, passa o tempo a escalar (sempre com five.ten, claro está) e é seguido por uma data de gente que escuta religiosamente todas as barbaridades que o gajo diz. Há quem diga que esta é a história da vida do Chris Sharma.